O Verdadeiro Pastor

Publicado: 26/06/2009 por estevameduardo em Devocionais
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E ae galera, só na tranquilidade???

Como todo mundo já percebeu nós estamos passando por uma fase de tremenda mudança em nossa igreja. Com a morte do nosso amado pastor Divino Gonçalves, que esteve a frente da nossa igreja por quase 25 anos, primeiramente nos sentimos bastante inseguros, pela hipótese levantada de que a Convenção Nacional mandaria um pastor com interesse meramente político, mas graças ao nosso bom Deus as coisas se acertaram rapidamente: o Pastor Benedito, que congrega conosco desde a fundação de nossa Igreja, assumiu a presidência do Campo de Taguatinga, nos passando uma sensação de bastante estabilidade e segurança.

Começo agora a minha explanação, espero que não gere muita polêmica e que alguns irmãos mais radicais não fiquem chateados comigo.

Primeiramente faço uma pergunta: Você sabe qual é o significado de ser pastor?

Garanto que de cara você respondeu que sim, mas será que realmente já paramos para pensar no real papel do pastor em nossas vidas?

Vou dar a minha opinião sobre o tema:

Ser pastor é muito mais que ser consagrado por uma Convenção, pois esta é formada por homens. É muito mais que se assentar em um lugar mais alto e em uma cadeira mais confortável. É mais até que pegar um microfone e nos ensinar com total desenvoltura e segurança. É muito mais que tudo que nos acostumamos a ver nos templos pela cidade.

Pastor é aquele que realmente cuida de suas ovelhas. É aquele que conhece as que são de seu rebanho e as que não são. Que consegue identificar um perigo, mesmo que ele esteja disfarçado de ovelha.

O verdadeiro pastor não é um simples pregador, que possui todo o conhecimento teórico porém que não consegue compartilhar dos sentimentos dos membros. Aquele que foi instituído por Deus para exercer esta função tem que ser capaz de parar para ouvir (não somente escutar) e sofrer junto com o membro, pois a dor que sua ovelha sente também é sua dor. Deve existir uma profunda compaixão pela vida do membro, uma paixão pela alma da pessoa, uma consciência de que qualquer pessoa, por mais humilde ou rica que seja, é uma alma que precisa ser tratada pois é muito valiosa para Deus.

Quem é pastor deve estar disposto a ser conhecido pelos membros de sua igreja. As pessoas devem ter livre acesso a ele, tanto para conversarem descontraidamente, quento para abrirem seus corações. Pastor é aquele que está disponível para resolver os eventuais problemas que surjam dentro dos departamentos ou grupos da igreja local.

Existem muitas outras características de um verdadeiro pastor que vou deixar para citar em outra oportunidade, porque se não este texto vai ficar muito extenso.

Porém, com as características que já citei percebemos que há uma grande confusão em nosso meio (principalmente na Assembléia de Deus, minha igreja). Existem centenas de “pastores” que na verdade não são pastores, são evangelistas, profetas, excelentes professores, administradores, doutores; mas nunca poderiam ser considerados pastores.

O texto de Éfesios 4:11 é muito claro: “E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores”.

Nós que somos da nova geração, que um dia será levantada para administrar as igrejas a que pertencemos, não podemos deixar que esses conceitos se misturem em nossas cabeças. Devemos nos examinar e pedir direção a Deus para que Ele nos mostre o ministério que nos é dado.

Irmãos, não me levem a mal, mas a grande maioria dos irmãos que estão sentados em cima de nossos púlpitos e que levam uma carteirinha de pastor em suas carteiras, não passam de irmãos que foram consagrados em busca de status dentro da comunidade cristã, até porque fica mais bonito se apresentar como pastor ao invés de simples membro de uma igreja.

Mas o que realmente me entristeci é que grande parte das ovelhas tem visto nesses administradores o que deveriam procurar nos verdadeiros pastores levantados por Deus, gerando assim frustrações e prejuízos emocionais irreparáveis (quando por exemplo uma pessoa que precisa muito de ajuda tenta conversar com um “pastor” e este não dá a devida atenção).

Volto a convidá-los ao movimento do pensamento renovado, para que reflitamos sobre o verdadeiro papel dado pelo Sumo Pastor (Jesus) aos homens que estão acima de nós na hierarquia eclesiástica.

Agora falo especificamente para aqueles que congregam na Igreja Sede do Campo de Taguatinga: que fique claro que não estou me referindo ao nosso atual pastor (administrador), pois ele já deixou claro que é um homem muito ocupado e que não pretende assumir para si todas as responsabilidades do pastorado, deixando para os demais obreiros essa responsabilidade. E eu já falei pessoalmente a ele que eu o apoio em tudo que ele precisar, porque ele é o meu pastor.

Deixo agora o meu posicionamento particular a respeito do tema, no que se refere a nossa igreja local, vocês são livres para discordar:

O nosso sistema de administração está muito errado. Deveríamos separar o que é pastorado do que é administração humana pura, formando uma comissão administradora da qual o pastor pudesse fazer parte se quisesse, mas que tomaria as decisões de como o dinheiro da igreja seria investido e quais seriam as prioridades de gastos (casas de recuperação, orfanatos, etc.) . Ao pastor restaria o controle da congregação no que se refere ao lado espiritual, com aconselhamento, palavra de ensinamento, ajuda aos irmãos necessitados etc.

Quanto ao pensamento renovado, peço que pensem sobre o assunto, tirem suas conclusões, e tentem mudar, para que quando chegar a nossa vez de estar a frente não cometamos os mesmos erros.

Abraço Povo de Deus.
Qualquer coisa é só falar, estamos ai na ativa.
Estevam

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Comentários
  1. Duarte Henrique disse:

    Galera,

    Sei que já está se transformando numa praxe o fato de que eu concorde com o Estevam. Não obstante, vou concordar de novo. Os pastores que temos por aí hoje são realmente, em boa parte, apenas nominais. O verdadeiro pastor se parece com suas ovelhas, está no meio delas. Ele mesmo, em última instância, é uma delas. Jesus era tão parecido com seus discípulos que quando a guarda romana veio prendê-lo, tiveram que combinar com Judas que ele o beijaria, pois só assim poderiam saber quem ele era. Hoje em dia, a guarda romana não teria nenhum problema para identificar nossos pastores. Bastaria procurar pelo carro dele nas vagas privativas do estacionamento ou então no lugar mais destacado do púlpito. Ou ainda, aquele indivíduo mais inacessível da congregação… já não se fazem pastores como antes…

    Abraços
    Deus seja conosco
    DH

  2. Thiago S. Borges disse:

    Olá galerinha,

    Esse é um assunto que merece muita atenção nos dias de hoje e que foi bem abordado pelo Estevam, quero aqui deixar minha sucinta contribuição, mas adianto que não quero gerar polêmica.

    No evangelho de João, capítulo 20, existe um relato muito interessante: Jesus, após um jantar, pergunta por três vezes a Pedro, se ele (Pedro) o amava. Por três vezes, Pedro respondeu a Jesus afirmando seu amor e Jesus após cada resposta que lhe dizia o seguinte: “Apascenta as minhas ovelhas” (v.15-17). Apascentar significa cuidar, guiar, vigiar, pastorear e era exatamente isso que Pedro deveria fazer com as “ovelhas” de Jesus. Esse era de fato o verdadeiro amor que Jesus queria de Pedro. O dom de pastorear tem como principal manifestação o amor.

    POR UM LADO, o que diremos dos pastores atuais? Será que estão apascentando as ovelhas? Será que estão cuidando, zelando, guiando, vigiando, pastoreando as ovelhas do Senhor? É sabido que os púlpitos de nossas igrejas estão abarrotados de homens engravatados com título de pastor, mas será que são de fato?

    Não quero generalizar, por que existem grandes pastores que passam suas vidas inteiras pastoreando o rebanho de Cristo, vide nosso Pr. Divino Gonçalves, mas verdade é que muitos não dão a mínima para a igreja, para os membros, para quem quer que seja. Estão preocupados consigo, com o poder, com o status, com a influência, com o dinheiro, com a política; enfim, não são pastores.

    Ressalto que num passado não muito distante, a consagração de obreiros e principalmente de pastores era muito difícil. Lembro de relatos, de meus pastores anteriores, que alguns se enclausuravam em oração e jejum com nomes em papeis para que Deus os direcionassem quanto às pessoas que seriam consagradas. Hoje em dia, não generalizando, bastar ter dinheiro e influência que a ascendência ministerial estará garantida, algo assim execrável.

    É uma pena que o número de obreiros é muito grande, mas os que de fato realizam atividades relevantes para o reino é muito reduzido.

    POR OUTRO LADO, me preocupa o crescimento desacerbado de igrejas. Aqui no Brasil existem igrejas para roqueiros, para pagodeiros, para skatistas, para gays e lésbicas; enfim, igrejas para todos os tipos e gostos. A grande questão é: De onde será que saíram estas “igrejas”? De onde será que saíram os “pastores” destas igrejas?

    Deus venha ter misericórdia de nós.

    Abraços

    Thiago S. Borges

    • Estevam disse:

      Muito bem Thiago, disse muito bem.

      Gostaria só de acrescentar ao seu comentário que existem muitos “pastores”, que realmente são homens de Deus, são pessoas com um andar irrepreensível, que se interessam pelo bom andamento da obra de Deus, porém que simplesmente não tem o chamado para serem pastores. São irmãos que seriam bem melhores aproveitados em outras funções na igreja, e que deixariam espaço para aqueles que realmente tem vocação assumirem o controle do rebanho.

      Infelizmente, como você disse, o que determina se irmão será consagrada pastor é sua influência, contatos e em muitos casos uma puxação de saco sem fim (como estou cansado de ver na nossa igreja).

      Valeu pelo comentário irmão, muito proveitoso.

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