Desvendando as parábolas de Jesus

Publicado: 09/06/2010 por anybody em Devocionais
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CAPRICHOS PUERIS (Mt 11:16-19).

 

Um belo dia, o Mestre ouviu fofocas em redor de si: eram dois grupos de descontentes que discutiam: os rigoristas (filosofia de excessivo rigor moral) e os laxistas (filosofia pouco severa moralmente). Os rigoristas diziam: João Batista, eis um santo de verdade! Alimenta-se de mel e vagens da árvore do gafanhoto; vive sobre a severidade! Já esse tal profeta de Nazaré é amigo de boas iguarias e de vinhos embriagantes; aceita até convites a banquetes dos pecadores vis publicanos.

Os laxistas exultavam e diziam: Esse Jesus, sim, é um santo moderno, come e bebe como nós; vive em plena sociedade; não mora no deserto nem é possesso do mau espírito da claustrofilia (tendência a isolar-se), como esse mergulhador João.

Jesus, zombeteiro, disse-lhes: “A que posso comparar essa gente? São como crianças na praça, em dois partidos: o dos dançarinos folgazões e o dos choramingueiros tristonhos. Uns dizem: tocamos flauta – e não bailastes. Outros já entoam: tristes cantos solamos – e não chorastes. Veio João que não comia nem bebia e disseram: está possesso por demônios. Veio o filho do homem, que come e bebe, e dizeis: Eis aí um comilão e beberrão!”

O Mestre nos dá uma lição de sabedoria ímpar nessa parábola hilariante. Sempre haverá partidários de opiniões divergentes no assunto sacro, mas a verdade não luta com a erudição dos teólogos. O ego é o pior inimigo do Eu, mas o Eu é o melhor amigo do ego (Bhagavad Gita).

  • O laxista gosta de beber e comer bem, e abusa dos prazeres da vida.
  • O rigorista recusa essas satisfações e só vive em Deus.
  • O sábio não abusa, como o laxista, nem recusa, como o rigorista, mas usa simplesmente os bens da vida, porque os considera como meios, mas nunca como fins em si mesmos.

Quem abusa considera os bens da vida como fim supremo. Quem recusa não os considera nem como fim nem como meio. Quem usa os bens da vida não os considera como fim, mas sim como meio para conseguir um fim superior.

A verdadeira sabedoria é justificada em suas obras.

E você, como acha que devemos usar os bens da vida? É partidário da abdicação absoluta? Comunga com os desejosos pelos bens? O que Cristo nos ensina nessa parábola?

 

Rômulo de Barros.

Esse texto é uma citação/paráfrase de um trecho do livro: Sabedoria das Parábolas, de Huberto Rohden (Martin Claret, São Paulo: 2006). 

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comentários
  1. Duarte Henrique disse:

    Grande Mestre Rômulo,

    Excelente texto para reflexão. Realmente uma síntese entre o rigorismo e o laxismo parece ser o mais recomendável. O “meio termo” é sempre o mais seguro em qualquer situação. A moderação é sempre bem vinda. Contudo, não raro percebo meu espírito inquieto, caminhando irresponsavelmente para extremos em busca de intensidade. É como se me dissesse, você só tem hoje, o amanhã não passa de uma hipótese (Mt 6:33). Daí me pergunto, será que ele não está certo? Num solilóquio logo percebo que ele está certo. Será que o “meio termo” na verdade não é o grande vilão de nossas vidas? Não será ele o grande responsável por essa vida ordinária e rotineira que muitas vezes levamos? Passar num concurso público, casar, ter filhos, uma casa, um carro e viajar uma vez por ano, eis o grande projeto de vida da maioria de nós. Mas isso será realmente nossa vida? Ou um modelo ao qual aderimos? Novamente me questiono, não seria a intensidade uma das únicas alternativas à loucura de acharmos que nossa “normalidade” é normal? Em todas as áreas de nossa vida sempre existirão partidos aos quais nos filiaremos. Mas surge então outra questão: por que não criamos nós mesmos nossos partidos? Em outras palavras, por que não posso eu mesmo ser o fundador e único filiado do meu partido? A resposta é simples, penso eu, isso exigiria uma intensidade tal, que a maioria de nós não está disposto a arriscar viver. Talvez tenha sido exatamente isso que Kierkegaard quis ensinar quando disse “Ter fé é saltar num quarto escuro e cair nos braços de Deus”. O mais incrível, porém, é que mesmo após todo esse processo introspectivo, simplesmente ignoro o que meu espírito quis dizer e opto pela moderação, pela rotina. Vai entender. Não sei até quando isso vai durar…

    Abraços, e valeu pela reflexão!

    • Rômulo de Barros disse:

      Mestre,

      Você consegue sempre colocar uma vírgula nas nossas certezas.
      Acho que. por causa do tal “meio-termo” é que a maioria de nós nos convertemos a CRISTO de maneira intensa e, com o passar do tempo, tornamo-nos mornos.
      Acredito que o meio-termo é efeito de nossa preocupação em adotar o modelo, o padrão de vida comum e com isso agradar os que rodeiam – mesmo corroendo-se por dentro. Poucas pessoas conseguem libertar-se da síndrome da preocupação horizontal, apesar de crerem na existência soberana dum DEUS – DEUS este que requer primazia para a relação vertical.
      Na igreja, é incrível o temor das pessoas pelo que os outros irão pensar – quantas e quantas vezes já fui e ainda sou assim.
      É, será que se vivêssemos livres do conceito e do pré-conceito dos outros viveríamos mais intensamente???
      É bom deixar claro para as raposas que viver intensamente não é viver pecaminosamente. Não abrimos mão do arrependimento, confiamos na misericórdia e não temos a consciência cauterizada.

  2. fabricio disse:

    Texto interessantíssimo! E Duarte sempre nos pondo a pensar!
    Ao longo da minha vida já participei destes dois grupos! Rigoristas e laxistas. E posso dizer que os dois são prejudiciais. Mais vem cá, os rigoristas que tanto vemos em nossas igrejas, não se aproximam bastante daquelas pessoas que um homem chamado Jesus combateu com unhas e dentes? Os Hipócritas??? Minha peregrinação aqui na terra me ensinou uma coisa e disso eu sei. Devemos correr desta religiosidade de aparencia, dessa hipocrisia nojenta, dessa bondade fingida que consome os templos. Prefiro deixar todo mundo axando que eu sou um laxista ou até mundano (como os rigoristas já devem tá pensando), do que viver esse cristianismo de aparencia dentro da igreja. Jesus sempre preferiu o pior dos pecadores do que o melhor dos religiosos.

    • Rômulo de Barros disse:

      Bela frase de impacto:
      “Jesus sempre preferiu o pior dos pecadores do que o melhor dos religiosos”.
      Por que será que nós continuamos a ser tão hipócritas, mesmo após 2000 anos de um duro alerta????

  3. Roberto disse:

    João 3.8: O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito.
    Fazer o que é adequado e necessário não é, necessariamente o padrão, fácil ou difícil, coerente ou o que seja, mas certamente é bom se o fim é Cristo.

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