Profecia: regra ou exceção?

Publicado: 08/12/2010 por anybody em Devocionais
Tags:, , , ,

Culto de domingo, o conjunto de senhoras entoa seu cântico em ritmo exuberante. A igreja “pega fogo” e o pastor pede a todos que se levantem em oração. Ao fim, surge uma voz destacada, num misto de línguas estranhas e frases traduzidas. É a irmã Maria, conhecida por ser a profetiza da igreja. Todos curvam suas cabeças e, reverentes, têm os ouvidos atentos às palavras daquela cristã. Exceto alguns curiosos que mantêm erguidos os olhos, buscando enxergar bem o momento profético e os destinatários da preleção.

Não sei vocês, queridos leitores, mas o humilde autor aqui cresceu vivenciando cenas assim. Não foram poucas. O tempo passou, e esses eventos tornaram-se escassos no meio em que vivo. A grande maioria das bondosas irmãzinhas profetas hoje vivem apenas na lembrança de sua fraternidade.

Atualmente, há um enfraquecimento de profecias em muitas igrejas, as quais eram tradicionamentes palco de tal evento. Por quê? Por causa da escassez de profetas nos templos? Ou por conta da relativização da profecia nas discussões apologéticas que permeiam a comunidade protestante? Confesso não saber o real motivo, incumbe-me apenas colocar vírgulas, interrogações; alimentar as discussões em busca da crescimento do conhecimento.

Que o ser humano necessita da orientação divina ninguém pode negar. Todavia, introduziu-se há tempos, no meio protestante, uma cultura de busca ensandecida por profecias. Pessoas davam-se ao luxo de, para toda e qualquer decisão de suas vidas, irem à casa do profeta pedir oração, e o que viesse a partir daí. O telefone também era um caminho interessante para essa tarefa. Quem nunca viu um disk-profecia por aí? É mais fácil buscar a instrução “sobrenatural” do que usar o pensamento, não é? As pessoas querem que DEUS lhes escreva especificamente o que fazer, ao invés de utilizarem o seu próprio raciocínio.

Não limitemos a DEUS nunca. Ele bem pode fazê-lo vez por outra. Mas por regra agiria assim? As escrituras dão respaldo a essa prática? Vejamos o que diz Salmos 32. No versículo 8 o salmista entoa: “Instruir-te-ei e te ensinarei o caminho que deves seguir; e, sob as minhas vistas, te darei conselho”. Oh, então de DEUS vem a instrução para nossos caminhos e decisões? Veja o versículo 9: “Não sejais como o cavalo ou a mula, sem entendimento, os quais com freios e cabrestos são dominados; de outra sorte não te obedecem”. Com isso DEUS nos promete guiar, mas não esperemos que o faça como a cavalos ou a mulas (os quais são controlados pela força e não pela inteligência). Pra que nos deu o entendimento senão a fim de ser instrumento de decisão de nossos caminhos?

Portanto, profecia é regra ou é exceção? Como DEUS fala conosco? Você acredita em profecia?

É triste ter de escrever de forma direcionada, mas com a finalidade de não sobrevierem julgamentos injustos: não estou a questionar modelo de doutrina, nem pondo em descrédito esse ou aquele profeta, ou essa ou aquela profecia. Sou dos que creêm na existência do dom profético e já fui alvo de manifestações confirmadas de tal evento. Só não me conformo com a disseminação de práticas terríveis que vejo por aí.
 
A graça que excede todo entendimento seja o alento para a difusão do nosso conhecimento.

 

Rômulo de Barros.

Anúncios
comentários
  1. Barbosinha disse:

    Ótimo texto!

  2. waldson disse:

    Grande Romulo…e muito bom ler seus textos… um dia aprendo a escrever igual a vc!!!! Prometo!!!
    Esse assunto e muito delicado dentro das igrejas hj… me parece que profeta tem!!! o que ta faltando e coragen de exercer esta funcao que Deus o delegou… muitos por vergonha e outros por achar que e apenas coisa de sua cabeca, ou ate mesmo por nao achar necessario falar naquela hora…
    o pq dessa negligência? nao sei…

  3. Legal Ro_MPU_lo…

    Bela observação…

    Penso que as pessoas que estão interagindo com o Espírito Santo durante essas mensagens sabem perfeitamente diferenciar as profecias das “profetadas”…

    Uma certa feita, a título de ilustração, OUVI uma história na qual uma pessoa que não tinha muitas posses etc., se vestiu de forma social, de modo a parecer ser um empresário, e foi ter com um “profeta” desses… Durante a “oração” o dito “profeta” disse (mais ou menos assim): “Eis que o senhor vai restaurar a tua empresa…” e por aí foi…

    Logo, temos que buscar e pedir a Deus discernimento para receber orações desse calibre…

    Abraço e toda a sabedoria necessária para se livrar dessas “viagens”…

  4. Duarte Henrique disse:

    Mestre Rômulo,

    Esse é, desde sempre, um assunto extremamente palpitante no seio da igreja. Devo deixar aqui meus profundos elogios pela forma como você expôs o assunto. Assim como você, eu também sempre aprendo quando questiono. Aliás, desconheço maneira melhor de se aprender alguma coisa. Pois bem,sabe Rômulo, existe um dilema que há muito tempo me persegue, desde a adolescência, mas ainda não me posicionei, muito embora penda para o lado do realismo. O dilema é o seguinte: O que é melhor? Uma mentira que te conforte e te faça feliz, ou uma verdade que lhe mostre a realidade, por mais dura e cruel que possa ser? Ele é um dilema que se aplica a várias áres de nossa vida, inclusive ao assunto que você propõe no texto. Deixo que você mesmo dê a resposta: “É mais fácil buscar a instrução “sobrenatural” do que usar o pensamento, não é? As pessoas querem que DEUS lhes escreva especificamente o que fazer, ao invés de utilizarem o seu próprio raciocínio”. A profundidade do que Deus tem a nos revelar por meio da meditação e de uma profunda e verdadeira introspecção é tão sublime que, se algum dia esgotássemos essa esfera, eu ousaria então acreditar em profecias como as que você se referiu no texto. Dependemos da orientação divina? Sem dúvida, mas jamais nos esqueçamos de que o “Reino de Deus está em vós”. O que Deus queria revelar, já o fez em Cristo. Cabe a cada um agora tomar parte nessa revelação.

    Abraços!

  5. Roberto disse:

    E quando não temos elementos suficientes para montar um raciocínio? E se um raciocínio não se aplica? São bons momentos para buscar uma orientação sobrenatural. Alguém teria um exemplo disso? Quando escolhemos pessoas para um determinado fim é um. Apenas Deus conhece as pessoas de verdade. Se vamos conduzidos pelo nosso próprio raciocínio, podemos ser engodados pela aparência. O que acham?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s