Teologia da Vingança!

Publicado: 20/12/2010 por Duarte Henrique em Devocionais
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Olá meus caros amigos,

Hoje li uma reportagem em um jornal local que me causou certo espanto. Segundo a reportagem, um adolescente teria matado a tiros uma senhora de uma igreja Assembléia de Deus no Gama, na porta do templo, porque ela, meses atrás, teria feito uma “oração” para que a mãe dele falecesse. De fato, algum tempo depois a mãe do adolescente veio a falecer durante uma cirurgia.

Bom, não sei se é verdade essa história, nem sempre devemos acreditar em tudo que a imprensa diz, isso todo mundo sabe. Contudo, por mais estranho que possa parecer, em face do tipo de teologia que vem crescendo cada vez mais em nosso meio, não acho mais tão improvável assim que esse tipo de “oração” macabra realmente ocorra. É bem verdade que esse tipo de oração se assemelha mais a “macumba evangélica” do que a oração cristã. Mas fazer o que? Essa “macumba” muitas vezes está na nossa pregação e nas nossas músicas. Ham?! Acha que estou exagerando, acha que isso só acontece na Universal? Bom, deixe-me provar que não.

Quem aqui nunca ouviu durante uma pregação, principalmente desses avivalistas, que “Deus vai te dar vitória, e vai envergonhar seus inimigos” ou coisas semelhantes? Pois é, está cheio por aí. E todo mundo dá glória a Deus e aleluia! Isso é teologia da vingança, é transformar Deus num gangster ou num mafioso que trabalha pra gente o tempo todo!

E na área musical então? Cada vez mais cantamos músicas mergulhadas em vingança e ódio reprimido. Vou dar só alguns exemplos, tudo bem? E nem venha me dizer que nunca cantou essas músicas!

“Quem te viu passar na prova e não te ajudou, quando ver você na benção vão se arrepender.Vai estar entre a platéia e você no palco, Vai olhar e ver Jesus brilhando em você” Damares, música: Sabor de Mel. Veja que letra bizarra! Quer dizer que Deus vai me abençoar para que depois essa “vitória” seja esfregada na cara dos outros, enquanto eles me assistem da platéia e eu no palco? Isso é macumba evangélica!

Vamos a outra música, que foi enfadonhamente repetida nos últimos anos na maioria das igrejas evangélicas.

Não se deixe ser levado pela voz do opressor. Ele só sabe acusar. Não se renda porque ele já perdeu  Agora é a sua vez de humilhar” Rose Nascimento, música: Fiel Toda Vida. Sem comentários, quer dizer que agora chegou minha vez de humilhar é? Sinceramente…

Mias uma, por que não?

“Se tentam destruir-me zombando da minha fé . E até tramam contra mim           .Querem entulhar meus poços. Querem frustrar meus sonhos e me fazer desistir” Trazendo a Arca, música: Marca da Promessa. O interessante é que esse tipo de música nos joga uns contra ou outros e nós mal percebemos. Amigo, o evangelho não nos convida a conspirar e nem ter ódio de ninguém, nem mesmo do Diabo! O ódio é um sentimento que simplismente não pode existir num coração regenerado.

Pois bem, eu poderia ficar aqui mais algum tempo dando mostras dessa teologica maligna que infesta nosso meio, mas vou poupá-los disso. Não só nas músicas e na pregação, mas também em nossa praxe teológica diária temos aceito isso.

Infelizmente não queremos mais aquele evangelho de “dar a outra face”, tampouco o de “amar os inimigos” ou mesmo “caminhar uma milha a mais”. Queremos vitória, properidade, celeiros fartos, provisão divina etc. Queremos viver no Velho Testamento, pois não suportamos a mensagem do Novo.

Lá de longe, mas bem de longe mesmo, Jesus observa tudo e diz, “Bem aventurados os pacificadores, pois serão chamados filhos de Deus…” Mt 5:9.

Abraços, e que Deus nos proteja do antievangelho que se dissemina em nosso meio. 

Duarte Henrique, Intus et in cut.

 

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comentários
  1. Ow, bem que a gente podia destacar algumas outras músicas! Que tal procurarmos outros exemplos de músicas adeptas a Teologia da Vingança?

    A Cris, Thayse & CIA LTDA devem ter um monte em suas mentes heheeh

  2. Kleinha disse:

    Bem,eu não tenho nenhuma música mas, já ouvi falar sobre essas “orações contrárias” no lugar de abençoar o próximo quer amaldiçoá-lo através de suas orações. Mas eu deixo uma pergunta: Deus dá ouvido pra esses tipos de orações? Eu acredito que não.

    Fiquem com Deus!

  3. Leonardo disse:

    O poder que vem do alto é o poder de Deus expresso em toda a Bíblia, revelando um Deus que age, que interfere em favor dos que são seus e o faz de forma soberana, unilateral e onipotente. A ação de Deus é natural para Ele e sobrenatural para nós. Quando Deus intervém e os milagres acontecem, Ele está fazendo voltar a funcionar o que foi criado por Ele para funcionar normal, natural e perfeitamente. Quando Deus entra em ação, quem o impedirá? Ele é soberano, onipotente e eterno.
    Em Atos, o poder do alto é o poder do Espírito Santo. É poder para ser “testemunha”, ser mártir por amor a Cristo. O ato de levar o nome de Jesus Cristo e atestar quem Ele é: O eterno Filho de Deus; é Deus encarnado; é Deus conosco; e, que Ele tem todo o poder no céu e sobre a terra, causa resistências, reações e perseguições. O que Jesus Cristo é, fez e faz ainda hoje, provoca mudanças radicais nas pessoas: elas mudam seu estilo de vida, são transformadas pelo poder do alto em novas criaturas, novas pessoas que passam a viver uma nova vida em Cristo, são regeneradas e transformadas, de tal maneira e com tal intensidade, que não temos outra explicação senão a conversão, mudança de direção, de atitude mental e de prática de vida. Pelo poder do Alto foram regeneradas, transformadas, mudaram de vida, de posturas éticas, de atitudes, que não temos outra explicação a não ser falar de regeneração – transformação tão profunda que só pode ser entendida como novo nascimento.
    É claro que mudança radical de vida provoca reações, restrições e perseguições e para isso e por isso os cristãos precisam ser revestidos do poder do Espírito, ter o Espírito Santo neles como capacitador, consolador, dinamizador – aquele que produz vida, nova vida, energia, calor, coragem, unção, autoridade, poder, é Deus em nós.
    Isto é TEOLOGIA DE AMOR EM CRISTO!!!!!

  4. Milena disse:

    Acho que a “música-símbolo” do que você chama de teologia da vingança é a Sabor de Mel da Damares:
    “Quem te viu passar na prova
    E não te ajudou
    Quando ver você na benção
    Vai se arrepender
    Vai estar entre a platéia
    E você no palco(…)”

    Em relação às orações vingativas, posso dizer que já vi muitas. Graças a Deus nós temos um Deus que é infinito em sabedoria e não concede tudo o que seus filhos pedem.

  5. Ana Cristina disse:

    Importante esse tema porque precisamos ter o cuidado de lembrar que não lutamos contra o nosso irmão em Cristo, mas percebo que há pessoas que travam um confronto pessoal, muitas vezes até em família.

    Árvore do bem e do mal é mencionada desde a formação, em Genesis 2-9: do solo fez o Senhor Deus brotar toda sorte de arvores agradáveis a vista e boas para alimento; e também a arvore da vida no meio do jardim e a arvore do conhecimento do bem e do mal.

    Já em Efésios 6:12 está o escrito: Porque não temos que lutar contra carne e sangue, mas sim contra principados e potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.

    Não podemos subestimar as forças do maligno, precisamos vestir da armadura de Deus, revestir da couraça de Deus. Sobre as músicas, creio que esse inimigo mencionado é o espiritual. Muitas vezes interpretamos uma fase difícil ou uma luta, como uma barreira a ser vencida, e sabemos que ela pode nos fazer crescer pessoalmente, como trazer conseqüências terríveis, como a depressão mesmo nos considerando “libertos”, e tivermos confessado o nome de Jesus, é aí que entra o poder da intercessão, da fé, da busca pela solução daquele problema…
    Sobre oração contraria, qd a pessoa está verdadeiramente com Deus não vale encantamento.

  6. Ana Cristina disse:

    video interessante sobre o tema: http://www.youtube.com/watch?v=b0ny3lIW2mw

  7. Milena disse:

    Xiii Duarte, foi mal, não vi q vc já tinha citado a música da Damares…distração minha =)

  8. Rômulo de Barros disse:

    FATO 01

    Na igreja do meu pai houve uma profecia de que até o fim do ano uma irmã morreria. Há até pouco tempo uma senhora entrou em profunda depressão por imaginar ser a destinatária do prenúncio fúnebre. Houve muito trabalho para recuperá-la desse problema. Falta 8 dias para 2011 e, graças a DEUS, não há velório marcado.

    FATO 02

    Numa igreja bem próxima à nossa: o jovem padecia de cânçer. A sua mãe recebeu inúmeras profecias garantindo a cura. A pouco tempo aquela nobre vida foi ceifada pela doença. A mãe hoje está revoltada com os “crentes”.

    Pra, mestre Duarte, nós só podemos ser uma bandão de cristãos alienados. Eu me enfureço com eventos assim, esses absurdos não podem acontecer. Quantas pessoas inocentes são vítimas…

    Até o que ouvimos tornou-se mensagem subliminar que nos impulsiona a errar…

  9. Paz e graça,

    O problema é que pessoas comentam os textos, dizem o que pensam, mas não passa do blog. Se esse desejo de mudança, de retornar ao verdadeiro evangelho não sair da net… de nada valeu a discussão.

    Thiago N. Fonseca

    • Rômulo de Barros disse:

      Na minha humilde opinião, mesmo que não passasse deste Blog, já teria valido, e muito, a discussão.

  10. A verdade só nos conduzirá a uma vida abundante quando praticada.

  11. Galera,

    Olhem só o artigo do Pr. Ciro Zibordi:

    http://cirozibordi.blogspot.com/2010/10/quando-vitoria-com-sabor-de-mel-se.html

    Mas tu não devias olhar para o dia de teu irmão, no dia do seu desterro; nem alegrar-te sobre os filhos de Judá, no dia da sua ruína; nem alargar a tua boca, no dia da angústia.
    Obadias v.12

    No menor livro do Antigo Testamento (Obadias) há grandes lições. Uma das perguntas que ele responde é a seguinte: Qual deve ser a nossa reação quando vemos um inimigo enfrentando um infortúnio?

    Segundo a Bíblia, os nossos reais inimigos são os principados, as potestades, as hostes espirituais da maldade, os príncipes das trevas deste século, e não as pessoas (Ef 6.10-12). Mas há cristãos (cristãos?) que elegem até irmãos como inimigos e alegam ter motivos “nobres” para se regozijarem com o aparente fracasso deles. Que tipo de vida cristã é essa?

    Eu reconheço que tenho inimigos, e muitos deles vão à forra quando ficam sabendo de algum suposto mal que me sucedeu. Sinceramente, digo isso diante de Deus: não sou perfeito, mas não sou inimigo de ninguém; e não desejo o mal dos que se me opõem e desejam me ver destruído.

    Por isso, resolvi compartilhar esta mensagem contrária à postura reprovável de se alegrar com o suposto fracasso de alguém. Eu digo “suposto” porque, sinceramente, tenho convicção de que o Senhor é o nosso Ajudador (Hb 13.5,6) e está no controle da nossa vida. E nada ocorre por acaso. Para os irmãos de José a sua venda para o Egito representou o seu fracasso, porém Deus estava no comando de tudo e abençoou grandemente o seu servo.

    Voltando ao livro de Obadias, este profeta pregou numa época em que a cidade de Jerusalém estava sob o ataque violento da Babilônia. E os vizinhos de Jerusalém, os edomitas, estavam torcendo para que os exércitos inimigos os matassem e os destruíssem, como lemos em Salmos 137.7: “Lembra-te, SENHOR, dos filhos de Edom no dia de Jerusalém, porque diziam: Arrasai-a, arrasai-a, até aos seus alicerces”.

    Observe que as aludidas palavras de escárnio e desprezo, mencionadas em Obadias v.12, foram pronunciadas por parentes consanguíneos dos judeus! Afinal, os edomitas eram descendentes de Esaú, irmão de Jacó. E, por isso, Obadias condenou os edomitas por se regozijarem com o sofrimento dos judeus.

    Ao final, os filhos de Edom, que pensavam estar comemorando uma vitória com sabor de mel, experimentaram, na verdade, uma derrota com sabor de fel: “Ah! Filha de Babilônia, que vais ser assolada! Feliz aquele que te retribuir consoante nos fizeste a nós! Feliz aquele que pegar em teus filhos e der com eles nas pedras!” (Sl 137.8,9).

    Portanto, se alguém que nos tem prejudicado, de alguma maneira, está sofrendo, não devemos, como servos do Senhor, ter o prazer da vingança. As Escrituras nos ensinam: “Quando cair o teu inimigo, não te alegres, e não se regozije o teu coração quando ele tropeçar” (Pv 24.17).

    Em vez de zombarmos do suposto fracasso de alguém, devemos manter uma atitude de compaixão e perdão, pois “Horrenda coisa é cair na mão do Deus vivo” (Hb 10.31). E é isso que estão buscando os crentes que cantam “Tem sabor de mel, tem sabor de mel” ao verem sofrendo o seu irmão (que eles consideram inimigo).

    Com temor e tremor,

    Ciro Sanches Zibordi

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  13. Roberto disse:

    Muito boa essa frase do Duarte: “Queremos vitória, properidade, celeiros fartos, provisão divina etc. Queremos viver no Velho Testamento, pois não suportamos a mensagem do Novo.”

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