A Década em que a Pregação Expositiva Começou a Desaparecer dos Púlpitos da Assembleia de Deus

Publicado: 08/01/2011 por Dário Estevão em Devocionais
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Olá Personas,

Em 2011 teremos o centenário das Assembleias de Deus. Diferentemente do Corinthians, não queremos uma “Centernada” neste ano. Vamos relembrar alguns momentos marcantes e que estes fatos nos levem a meditar em melhorias para os próximos 100 anos.

Nos últimos anos a Assembleia de Deus não perdeu somente o acento agudo. Perdeu na mensagem verdadeira, perdeu na organização e principalmente na politicagem. Se falarmos das perdas dos membros então… Quantos talentos já passou por nossas igrejas e muitos deles não suportaram os grandes problemas. Pela graça de Deus muitos continuam lutando por melhorias ou estão em outras denominações trabalhando para o Reino. Mas muitos…

Deixemos as críticas destrutivas e nos concentremos nas construtivas e produtivas. Trago abaixo um artigo para a nossa reflexão do Pr. Ciro Sanches (Rio de Janeiro). Neste ele apresenta o problema da década em nossas Assembleias de Deus: A Falta de Pregação Expositiva. Espero que gostem. Vamos a leitura:

Por Ciro Sanches Zibordi

Até o fim dos anos de 1990 não havia tantos malabaristas nos púlpitos das Assembleias de Deus. A pregação bíblico-expositiva ainda reinava. Pregadores que expunham a Palavra do Senhor, na dependência do Espírito Santo, ainda eram respeitados. Mas, com o falecimento de alguns homens de Deus e a queda espiritual de outros, começaram a surgir, em grande quantidade, ainda na aludida década de 1990 (que compreende o período de 1991 a 2000), os animadores de auditório.

Hoje, o modelo que prevalece e encanta multidões é o da pregação interativa dos “ungidos”, no melhor estilo diga-isso-e-aquilo-para-o-seu-irmão, com pouquíssimo conteúdo bíblico e malabarismo de sobra. Como consequência, muitos crentes já não suportam a exposição da viva e eficaz Palavra do Senhor (Hb 4.12). Isso, para eles, é simples demais e enfadonho; querem movimento, animação, berros prolongados ao microfone, gracejos, exibição teatral, etc.

A exposição verdadeiramente ungida das Escrituras perdeu o seu espaço. E quem não gosta de animação de auditório, como este expoente, é considerado pela maioria como retrógrado, ultrapassado, invejoso, sem unção, incapaz de “gerar a graça”, inimigo do “mover de Deus”, cético, etc.

Entretanto, a minha batalha — ainda que às vezes me sinta como alguém tirando água do oceano com uma pequena caneca — pela recuperação da pregação expositiva continuará, segundo a graça do Senhor Jesus. Enquanto Deus me der força, perseverarei em protestar contra a animação de plateia e em asseverar que precisamos voltar às “veredas antigas” (Jr 6.16). Afinal, avivamento também significa reconquistar o que foi perdido (Lm 5.21).

No dia 28 de abril de 1998, partiu para a glória, aos 58 anos, um grande expoente assembleiano: Valdir Nunes Bícego. Com base no que está escrito em 2 Timóteo 3.14, posso dizer que o ministério que o Senhor me outorgou foi grandemente influenciado por eminentes pregadores e ensinadores da Palavra, especialmente Valdir Bícego, que, na minha opinião, foi o grande nome da pregação expositiva na última década do século XX.

Não havia, à época da virada do milênio, um pregador que reunisse tantas qualidades como Valdir Bícego. De alguma forma, ele possuía todos os dons ministeriais mencionados em Efésios 4.11. Assim como Paulo, que recebeu do Senhor um ministério multíplice (1 Tm 2.7), Bícego era, ao mesmo tempo, um mestre, um pastor, um evangelista, um profeta e um apóstolo do Senhor.

Influenciado diretamente por homens de Deus, como os verdadeiramente apóstolos Cícero Canuto de Lima e Eurico Bergstén, Valdir Bícego reunia em si um pouco dos dois. Era seguro e zeloso como o primeiro e compromissado com a sã doutrina e com a pregação biblicocêntrica, como o segundo. Tive o privilégio de ser encaminhado ao ministério por ele, servindo ao Senhor sob seu pastorado na Assembleia de Deus da Lapa, em São Paulo, durante quinze anos.

Desde o dia em que vi o pastor Valdir Bícego expor a Palavra do Senhor, em um congresso de jovens, acendeu-se em mim uma chama para proclamar o Evangelho e defendê-lo (Mc 16.15; Fp 1.16). Na sua última pregação, em 27 de abril de 1998 (um dia antes de sua repentina morte), a qual também tive o privilégio de ouvir, ele asseverou: “Não fiquem em torno do pastor. Fiquem em torno de Jesus, da Palavra e do ministério, pois o pastor pode morrer a qualquer momento”.

No início do século XXI, a pregação expositiva tornou-se escassa e obsoleta nos púlpitos assembleianos. Os animadores de auditório começaram a encantar os jovens pregadores, em razão de serem aqueles os protagonistas dos grandes congressos pretensamente pentecostais, transmitidos ao vivo pela Internet. Pregações triunfalistas e antropocêntricas, com temas exóticos, como “Grávidos de um avivamento” ou “Sonhe e ganhará o mundo”, passaram a ser vendidas, alugadas e pirateadas em toda a parte, tornando os tais malabaristas verdadeiras celebridades.

Coincidentemente ou não, depois das mortes de Bernhard Johnson (em 1995), Valdir Bícego (em 1998) e Eurico Bergstén (em 1999), e com as quedas espirituais de importantes expoentes da Palavra de Deus (algumas irreversíveis), cresceu, e muito, a animação de plateia. Não obstante, hoje, graças a Deus e ao legado de pregadores do passado, o quadro já começa a melhorar. Há um forte clamor pela pregação expositiva, cristocêntrica, centrada na imutável Palavra do Senhor, e começam a surgir pregadores à moda antiga. Aleluia!

Diante do exposto, continuarei com o propósito de imitar os grandes expoentes que conheci no milênio passado, como Valdir Bícego, Geziel Gomes, Jimmy Swaggart, Eurico Bergstén, Bernhard Johnson e tantos outros (1 Co 11.1), sem contar os ensinadores. E continuarei lutando para que, em nossos cultos e congressos, voltemos a valorizar a poderosa exposição da Palavra de Deus (Sl 119.130; Jo 5.24), sem exibicionismo, invencionices, ilusionismo, berros desnecessários, malabarismo, gracejos sem graça, triunfalismo e outros devaneios e aberrações que desviam o povo da verdade e do temor do Senhor.

Fonte: http://cirozibordi.blogspot.com/2010/04/1991-2000-decada-em-que-pregacao.html

Este artigo me fez lembrar do Pr. Divino Gonçalves que, com suas mensagens simples e diretas (que tocavam nas almas dos sedentos), nos surpreendiam na hora do apelo. Quem nunca viu uns 4 a 5 se converterem no culto de domingo quando ele pregava? Me surpreende como a igreja esqueceu dele tão rapidamente. Isso muito me entristece…

Este artigo eu li em: http://elisabetescarvalho.blogspot.com/

Quer saber mais sobre os 100 anos das Assembleias de  Deus?

Acessehttp://www.centenarioadbrasil.org.br/CPAD/PAGES/historia.php?id=20

Blessing
Dário

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comentários
  1. […] This post was mentioned on Twitter by MP Vida TV. MP Vida TV said: A Década em que a Pregação Expositiva Começou a Desaparecer dos Púlpitos da Assembleia de Deus: http://wp.me/peaQi-2VB […]

  2. Fabrício disse:

    A muito tempo venho falando isso também. Porque é tão raro ouvir uma exposição da palavra de Deus? Porque quando a palavra não é expositiva o pastor é engrandecido, e não a palavra. Toda pregação que não é explanativa não traz crescimento algum para a igreja, mas afunda ainda mais o povo na ignorancia. Quando a mensagem acaba você pensa: -Que pastor abençoado! Se é expositiva você pensa: -A palavra de Deus é maravilhosa, e produzirá frutos em minha vida. Sem falar em pastores antigos da nossa igreja que não estudam nem se preparam antes de pregar, e vive falando abobrinha no púlpito. Por isso as ovelhas estão perdidas andando sem rumo sem saber onde é o aprisco, porque não ouvem a verdadeira voz do Pastor.

    • Muitos ainda não sabem nem a diferença entre explanativa e expositiva, então…

      A pergunta para os novos pregadores é: Como você tem se preparado para ser um novo pregador? Tem estudado teologia ou fica o dia inteiro assistindo DVD de pregadores de congressos de reteté? Esses novos pregadores estão copiando o jeito, os clichês e até a entonação de voz dos mais renomados… Estão parecendo os Pr. da IURD. Imitar é mais fácil do que estudar… Tá o resultado.

      O Fabrício num Acamp da vida aí imitou muito bem um Pr. Remomado heheeheh

  3. Duarte Henrique disse:

    Grande Dário,

    Excelente post, muito útil para uma profunda reflexão. Agora, permita-me discordar do autor do texto num ponto, porquanto nunca tenha sido uma característica das Assembléias de Deus a pregação expositiva. Infelizmente, nossa cultura sempre foi a de “dar liberdade para o espírito”, o que na verdade não passava de uma desculpa para nossa desorganização. Concordo plenamente com o Fabrício, a pregação expositiva exige dedicação do pregador, ao passo que a pregação “temática” pode ser feita de qualquer jeito, inclusive com técnicas de manipulação de público. Espero sinceramente que nossa geração realmente comece a buscar a verdadeira pregação, que é a única que realmente edifica. Jaz faz um bom tempo que pessoas sérias estão cansadas dessa manipulação barata, pregadores que emocionam, impressionam, mas não deixam nada de conteúdo bíblico conosco. A preocupação do autor do texto também é a minha.
    O Fabrício foi muito feliz quando deixou claro que a pregação expositiva ressalta a importância da palavra, ao passo que a “pregação moderna” ressalta as opiniões e caráter do pregador, algo muito tentador, mas fatal!

    Abração!

    • Fala Du’arts,

      Permita-me discordar da sua discordância hehehe Acho que o autor não falou que um dia a pregação expositiva foi característica das AD. Falou que a maioria (reinava) pregadores renomados antigos, ou que tinham ‘fama’, tinham pregações expositivas. Hoje é o contrário, pode buscar.

      Se sairmos de nossos cultos normais e formos para as nossas festas e congressos veremos que a situação é muito pior. Não damos prioridade para a palavra nem muito menos para pregações expositivas.

      Termômetro dessas festas e congressos:
      “A/O festa/congresso XXX foi uma bênção?” R: Foi uma maravilha. Estava lotada, gente saindo pelo ladrão.

      Provavelmente só pastores e pregadores renomados foram convidados.

      “E o que esse congresso mudou em sua vida?” R: ??????

  4. Gabyzona disse:

    Infelizmente os Pastores hj preferem subir no púlpito e ficar contando relatos de sua vida e até da vida dos outros, do que realmente pregar a Palavra de Deus.

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