A Cronologia do Casamento

Publicado: 21/01/2011 por Duarte Henrique em Devocionais, Reflexão
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Olá meus amigos, resolvi escrever um pouco sobre esse tema para compartilhar alguns pensamentos com vocês. Essa é minha opinião, que fique bem claro! Não quero desmotivar e nem motivar ninguém a nada que vá além de introspecção.

Casamento, eis aí um dos temas mais interessantes da existência humana. É um assunto, inclusive, que já foi debatido aqui outras vezes. Não tenho a menor pretensão de esgotá-lo, apenas fornecer mais elementos para reflexão. Mesmo porque abordarei apenas um de seus aspectos, o fator temporal ou cronológico se preferirem.

Uma das coisas que chamam a atenção quando falamos do matrimônio são as visões antagônicas que ele desperta, desde a visão de um Schopenhauer, para quem “casar-se é perder metade dos direitos e ganhar o dobro de obrigações”, até a visão de um Kierkegaard, para quem o casamento era algo tão espiritual, que acabava se tornando algo utópico. Existem outras frases sobre o assunto, mas fico com essas por mostrarem bem os extremos, isto é, uma visão pessimista ou realista e uma mais romântica.

Muitos dizem atualmente que o casamento está em crise, que é um modelo falido etc. Modelos alternativos estariam cada vez mais assumido a dianteira dos relacionamentos, segundo essa opinião.

Pois bem, sem ser muito profundo e prolixo, acho muito bom que o paradigma atual de casamento realmente entre em extinção. Ora, um cristão dizendo isso? Sim. O modelo atual de casamento está em crise porque na verdade sempre foi uma série de coisas, menos casamento de verdade. No meio secular as pessoas estão começando a se conscientizar disso, mas no meio cristão ainda tem muita gente se prendendo ao paradigma falido. Para muitos cristãos o casamento acaba sendo um fardo necessário, ou, no mínimo, uma obrigação moral. Sem contar que para alguns é apenas uma forma de legalizar o sexo, mas nesse assunto não vou nem adentrar…

O fato é que, ao mesmo tempo em que muitos veem o matrimônio como algo necessário, ao mesmo tempo o veem também como a grande salvação de suas vidas, ou então como o “gran finale”, o final feliz de uma história. O erro começa aqui, penso eu, pois todo tipo de cronologia deveria ser banida dos relacionamentos. O único marco que deveria existir é o “hoje”. O problema é que sempre estamos projetando a felicidade para o futuro. Namoro, noivado e casamento deveriam ser todos aglutinados num único momento da vida do casal: HOJE. Todavia, no paradigma atual as coisas, necessariamente, seguem um crescente ilusório e fatal, qual seja: namoro, fase de conhecimento; noivado, mais compromisso e preparação para o casamento; casamento, compromisso para sempre. Ora, é exatamente esse “sempre” um dos fatores que acaba matando muitos casamentos, principalmente entre os cristãos. Ancorados nas falsas certezas do “sempre”, nos esquecemos da importância do “hoje”, único fator que realmente assegura a felicidade de uma relação. A única promessa que um homem realmente sensato pode fazer a um mulher é prometer a ela o “hoje”, o que passar disso é ilusão. O “sempre” é o responsável por muitos casamentos de fachada, por muitos casamentos onde reina a indiferença, a rotina ou a mera tradição, afinal “tem que ser para sempre”. Um verdadeiro fardo.

O dia em que novamente entendermos que um papel registrado no cartório não tem validade nenhuma para o espírito, e que a única maneira de existir um “sempre” é multiplicando o “hoje” várias vezes, talvez resgatemos o verdadeiro casamento como foi projetado por Deus. O verdadeiro casamento jamais será fruto de um sentimento ou de uma necessidade, é sempre fruto de uma escolha voluntária que fazemos diariamente, e não num único momento ou cerimônia, de estarmos com alguém mais um dia ao nosso lado. Fico com Kierkegaard, o casamento é algo espiritual, qualquer tentativa de materializá-lo ou torná-lo empírico nos conduzirá as conclusões de Schopenhauer…

Mais teria para ser dito, mas fico por aqui.

Abração!

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comentários
  1. Bem meus caros…
    é como diz aquele “velho deitado”: – “O homem quando está solteiro só pensa em casar, quando casa só pensa em morrer.”

    É engraçado como a sociedade cristã hoje levanta certos preconceitos quanto ao casamento…

    Se o rapazinho da igreja casa novo é porque está louco pra fazer sexo, ou se é um jovem ancião ele está fadado a sempre ser julgado como pecador dentro da igreja, pois nenhum homem fica tanto tempo sem uma mulher, sendo assim ficam todos da cúpula tentando arrumar um casamento para o mancebo…

    Já na sociedade secular nos deparamos com outra realidade. Quando um rapazinho diz no mundo que já é casado logo vem a pergunta: e você já tem filho?? Será que as pessoas não podem casar por amor cedo não? kkkk . Ou a outra realidade apresentada anterior a do jovem ancião que não casa de jeito nenhum…. aaahhh esse ai no mundão é o cara, não casou, pega todo mundo e todos os homens casados da sua idade gostariam de ser como ele!

    Estou falando demais né?
    Na verdade tudo isso é só para dizer que eu sou um jovem que casou cedo, sem filhos e não só pensando em sexo… nós da igreja costumamos acreditar na família, crescemos vislumbrando nossos pais como modelos, e assim queremos segui-los!

    O Casamento não é um mar de rosa como dizem, mas também não é o inferno como outros o acusam, acho que o casamento é realmente a união de Deus… pois Ele une pessoas extremamente desconhecidas para passar o resto da vida juntos! se analisarmos a maioria das pessoas tem mais anos de casado do que de solteiro, ou seja convivem mais com seus maridos ou esposas “desconhecidos” do que com seus pais que são sangue do seu sangue.

    Fica o abraço ai pro povo!

  2. Rômulo de Barros disse:

    Grande Professor!

    Eu vejo problema nessa “espiritualização” do casamento. Quando leio I Coríntios 7, momento em que Paulo trata do tema casamento, sinto que o 13º Apóstolo entende-o como um refúgio. Ele explicitamente diz ser o matrimônio um remédio pra imoralidade. Entende que as pessoas devem permanecer só e em prol do testemunho do evangelho. Noutra via, não havendo controle, recomenda-se o casamento como fuga do ardor do desejo. Ele está errado? Ou errada é a minha interpretação? Opino pela verdade de suas palavras, todavia creio ser essa “uma” das faces do matrimônio.

    Não sei… mas acho que o nosso problema cristão é justamente espiritualizar demais o casamento, de forma a ficarmos soberanamente preocupados com o futuro. Enquanto os religiosos idealizam demais, os profanos racionalizam demais, tornando o divórcio uma decisão rápida e despreocupada.

    • Grande pesquisador Rômulo, em resposta ao seu comentário acrescentaria a seguinte opinião, seria o casamento necessário para ter excelência na adoração a Deus?

      Acredito que Deus não está preocupado se as pessoas devem casar ou não, o casamento é abençoado sim, eu sou prova de que Deus é a favor da família… mas para isso é necessário que Deus seja o centro, Ele estabeleceu a união com um objetivo único, receber toda a honra e glória! É inquestionável, portanto, a observação de todos os princípios e regras definidas na Bíblia para o bom andamento da união conjugal. O lar deve ser consagrado a Deus; a leitura da Bíblia necessita ser em conjunto; a oração deve subir como aroma agradável; e principalmente a realização de culto familiar pois o ensino bíblico aos filhos é um dever.

    • Leonardo F.F. disse:

      não há problema em si preocupar com o futuro, desde queos pensamentos estejam focado em Jesus!

    • Duarte Henrique disse:

      Grande Rômulo,

      Suas observações são pertinente, sem dúvida. Contudo, entendo as declarações de Paulo dentro do contexto para o qual ele falava, isto é, uma sociedade que estava acostumada com a DEPRAVAÇÃO sexual, ou seja, a greco-romana. Essa foi a forma que ele encontrou para resolver o problema da incontinência deles. Acho que vivemos num contexto diferente, muito embora sejamos um povo bastante “caliente”, como diriam alguns. Não imagino que hoje Paulo recomendaria a um jovem cristão, a essa altura do campeonato com mais de vinte séculos de cristianismo, que ele se casasse por causa de sexo. Mesmo porque isso é algo tão efêmero que dificilmente manteria um casamento de verdade.
      Quanto a espiritualização do casamento, lá em baixo, noutro comentário, expliquei o tipo de espiritualização aO qual me referi.

      Abração!

      PS: Detalhe, interessante ver homens debatendo um assunto que historicamente sempre interessou mais as mulheres. Será esse um sinal dos tempos? Rs…

  3. Leonardo F.F. disse:

    O casamento cristão baseia-se no fato de ambos os nubentes crerem que o casamento é uma instituição divina, e como tal, reconhecem que o casamento partiu do coração de Deus para os homens na terra, e só Ele é capaz de tornar um casamento bem sucedido.
    O casamento é a união de um homem e de uma mulher que constroem em comunhão e em amor uma vida comum.
    O casamento não acontece no dia da cerimónia, apenas começa nesse dia e necessita ser construído diariamente por ambos, é responsabilidade dos casados construir uma relação sólida pelo ouvir e praticar continuo da Palavra de Deus. Se assim o fizerem, Deus promete que esse casamento estará sobre uma rocha inabalável capaz de resistir a todo o tipo de contrariedades e dias maus, pois Deus vela sobre a sua Palavra para a cumprir e sempre se torna proteção espiritual, fonte de sabedoria e solução para todos os problemas na vida daqueles que n’Ele confiam. (Mateus 7:24)
    Um casamento cristão não se constrói baseado nos “ achos” dos amigos nem pelos palpites dos familiares, nem pela sabedoria popular ou experiências de pessoas que não se regem pela Palavra de Deus. ( Salmo 1:1-3)
    A origem dos problemas no casamento está muitas vezes em desconhecer ou desrespeitar princípios contidos na bíblia para o casamento. Desconhecer ou desrespeitar o papel e funções do marido e da mulher, as prioridades no casamento, as hierarquias na família, a prática da comunhão e do Amor de Deus, a infidelidade a Deus do casal, acredito que pode tornar o casamento num caos!
    A bíblia diz que Deus criou o Homem, macho e fêmea os criou. Deus não inventou o machismo nem o feminismo, estas são duas perversões naturais numa sociedade que não vive segundo o Espírito bíblico. Deus criou o homem e a mulher para serem como um só, para se complementarem com funções diferentes, com características diferentes, em respeito mútuo, de forma a que a sua diversidade e dons sejam uma riqueza para Deus e uns para os outros.
    Um casamento sadio é pois fruto de decisões previamente amadurecidas pelo diálogo, pela partilha de corações, sonhos, angústias, metas e responsabilidades.
    A única regra que Deus impõe é no caso de discórdia persistente, onde Deus atribui ao marido a responsabilidade de decidir em última instância, e à mulher a responsabilidade de unir-se de coração ao marido salvaguardando a unidade e estabilidade familiar.
    Saber comunicar informação, sentimentos e afetos, cuidar do seu relacionamento devem ser uma prioridade para o casal.
    Saber ouvir, mostrar compreensão, aceitação e amor suprem importantes necessidades de segurança interior, de confiança mútua e bem estar.
    Agressão verbal, palavras venenosas, má gestão financeira e a simples indiferença são agentes corrosivos da relação matrimonial.
    É importante que o casal prossiga em conhecer-se mutuamente pois ambos têm necessidades emocionais e físicas que devem ser conhecidas e respeitadas no contexto da diferença entre sexos.
    Devem também estar alerta para eventuais problemas de alma. Pois muitas pessoas vão para o casamento com uma alma doente, carregando consigo uma visão distorcida de si mesmas e dos outros, fobias, receios e inseguranças, às vezes expectativas do parceiro às quais ele nunca poderá corresponder plenamente.
    É por isso importante estar atento às raízes de amargura e ressentimento, a eventuais sentimentos de rejeição, ganhar coragem e confrontar essa realidade, procurando ajuda.
    O amor sobre o qual o casamento cristão deve ser construído é de natureza sobrenatural e tem a sua expressão máxima na vida de Cristo. Normalmente as pessoas apenas estão habituadas ao Amor próprio que nasce com todo o ser humano, aquele amor egoísta que temos por tudo o que é nosso. Conhecem também o amor fraternal cultivado pela amizade e o Amor do tipo sensual, que atrai sexualmente. No entanto existe um Amor sobrenatural de procedência divina cuja especialidade é restaurar relacionamentos entre os homens e entre os homens e Deus. Este Amor é derramado no coração das pessoas quando têm um encontro real com Cristo na sua vida e é revelado na intimidade com Deus.
    Este Amor é superiormente caracterizado em I Coríntios 13.
    É um amor altruísta, que não busca o seu próprio interesse mas o interesse dos outros.
    Quem é movido por este Amor, ama as pessoas independentemente do que elas mereçam, do que tenham dito acerca de nós, do seu feitio ou daquilo que tenham para nos dar.
    É um Amor que nasce do nosso relacionamento com Deus e torna-se para nós uma necessidade, praticá-lo.
    A bíblia define este Amor como benigno, nunca motiva a malícia, nem a suspeição do mal, nem a chantagem. Não alimenta ciúmes nem desconfianças, não trata com leviandade, opera através do perdão incondicional, tudo é capaz de sofrer, esperar, tudo vence!
    Jesus movido por este Amor disse em Mateus 5:44 e 45:
    “ Amai os vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus…”
    Pegue numa Bíblia e abra em I Coríntios capítulo 13, do versículo 1 ao 13 e tome para si nota de todas as características deste Amor.
    Pense de que forma pode amar o seu marido ou esposa através dessas características.
    O casamento cristão visa a construção de uma só vida para duas ou mais pessoas (filhos). Não há lugar para pessoas que vivem em permanente desconfiança mútua, cada um tem as suas coisas, as suas contas pessoais, os seus interesses privados e por conveniência dormem debaixo do mesmo teto, ou na mesma cama.
    O casamento deve dar origem a uma vida onde ambos possam desfrutar de prazer, onde ambos tenham espaço para respirar e fazer o que gostam.
    As metas devem ser comuns, não existem interesses privados onde a vida é comum, não devem por isso viver uma vida de segredos e de golpes baixos tirando proveito das fraquezas mútuas. Um lar assim será um inferno para o desenvolvimento dos filhos e um péssimo exemplo de família cristã!
    A Bíblia diz que uma casa dividida contra si mesma não prevalecerá, onde cada um puxa para seu lado não se pode pedir a Deus que abençoe!
    Uma casa que privilegia a sua unidade constitui-se foco da bênção e vida eterna conforme Deus promete no Salmo 133.
    Uma vida em comum fala-nos também do casal ter o cuidado de viver debaixo da mesma influência benigna e orientadora do Espírito Santo de Deus. Quando todos se regem pelos mesmos princípios, ambos frequentam a Igreja e alimentam uma mesma vontade (a de Deus) torna-se fácil serem sensíveis um ao outro, obedecerem e servirem-se mutuamente. A presença de Deus sempre “desparasita” a vida das pessoas da forma de viver deste mundo, própria de todos aqueles que vivem como se Deus não existisse (vivem em pecado biblicamente).
    Uma vida em comum tem também implicações na vida sexual dos dois. Pois Deus declara que também nesta área o casal deve olhar para o corpo um do outro como uma só carne, ou sua própria carne. Satisfazer o outro sexualmente é amar a si mesmo e respeitar o corpo do outro, é respeitar-se a si mesmo.
    Deus criou o sexo não apenas para reprodução da espécie humana mas também para criar fortes laços de intimidade e prazer entre o casal. Banalizar o sexo, desaprová-lo, tirá-lo do contexto do casamento, desprovê-lo de significado bíblico, do afeto e do profundo amor é pervertê-lo.
    Desprezá-lo numa relação conjugal é atentar contra a própria relação e propósitos de Deus.
    O casamento é a união de um homem e de uma mulher que constroem em comunhão e em amor uma vida comum.”extraído – ccva”
    No entanto, estes conselhos seguem umA Cronologia do Casamento cristão!

  4. Josué flausino disse:

    Eu pensava que meu sobrenome era feio… tadim desses caras –> Kierkegaard, Schopenhauer hehehe

    Eu também acho que que o modelo atual de casamento está falido. pra Mim seria melhor o modelo com 2 esposas…. KKKKKK (BRINCADEIRA MEU POVO) Só brincadeira !

    Vale lembrar que casamento não é obrigação bíblica nem social. Você escolhe com quem casar, se será um fardo ou não, depende somente de você.

    é minha opinião.

    Concordo com Duarte na questão do “Hoje” , um bom texto.

    abraços

  5. Lembrei de uma coisa..

    As igrejas atualmente insistem em um evento que se chama “Encontro de Casais”….
    Não seria mais interessante promover o “Encontro do Casal”, pois a gente vê tanta gente que na frente dos outros é uma coisa e em casa com a esposa é outra… rsrsrsrs talvez fosse necessário insentivar os casais a sairem sózinhos para que eles possam se conhecer melhor.

    Ao invés de fazer encontro de casais, vamos partir para o encontro de solteiros, pra ver se sai casamento dessa moçada ai!

  6. waldson disse:

    E ai galerinha de Jesus!!! Tudo Bem… Lógico que sim ,né? Agora Livres!!!
    Pois Bem!! Grande Duarte como sempre escrevendo bem e colocando um “Q” nos pensamentos do povo!!!
    Cooncordo com a vc sim! Com Algumas divergências, mas nada muito intrigante!!
    Casamento quando se espiritualiza muito fica ate engraçado..um dia vcs vao entender!! garanto!
    MAs o casamento e algo muito BOM (sei q vc nao disse que e ruim)! E uma esperiencia muito boa! A convivencia, a cumplicidade, a disposicao de estar ajudando ao outro sempre, enfim… varios motivos temos para acreditar no casamento!!
    Eu recomendo!!!
    hahahahahahaha
    Abracos a todos

  7. Duarte Henrique disse:

    Diga aí gente, beleza!

    Pessoal, quando eu quis dizer que o casamento é algo espiritual, não o fiz sob o prisma de espiritualidade no sentido cristão, mas no sentido filosófico, ou seja, o casamento é algo do mundo das idéias, e não algo empiricamente constatável. É a mesma divisão que existre entre ciências naturais e cinências humanas. O casamento, por assim dizer, não é algo empiricamente constatável, do tipo: “agora estamos casados”, ou então “mais a frente estaremos casados” etc. O casamento é um estado de espírito, e não uma situação fática ou estado jurídico. Dessa forma, existem muitos namorados que são casados, e muitos casados que jamais foram casados…
    A não ser que entendamos que o ato sexual é que consuma um casamento, como ouvi alguém dizer outro dia. Visão da qual discorodo totalmente.

    Abração!

    • Rômulo de Barros disse:

      Agora, mestre, para eu entender até onde vai esse conceito, dentro desse paradigma espiritual, você entende que duas pessoas casadas, não só em corpo e em lei, mas também em alma podem-se separar? Ou a ligação espirital perpetua a união, necessariamente?

      • Duarte Henrique disse:

        Meu caro Rômulo,

        Vou ser bem sincero: Eu não sei. É fato que existe o dogma do “Até que a morte os separe”. Mas isso é um dogma, geralmente quem diz isso durante a cerimônia é o celebrante, e não os noivos e muito menos Deus. O que Jesus disse foi o seguinte: “O que DEUS uniu não separe o homem”. A questão é saber qual é o tipo de casamento em que realmente acontece uma união feita por Deus. Mas adinato uma coisa, não existem fórmulas para isso, podemos até tentar, mas creio que não chegaremos a ela. Já leu sobre o romance do Sartre e da Simone Beauvoir? Qualquer um de nós consideraria aquilo bizarro, sem dúvidas. Mas o fato é que eles viveram algo aparentemente verdadeiro e profundo. Uma coisa eu sei, se pudermos ser felizes ao lado de alguém, por um único dia que seja, mas isso for algo verdadeiro, nossa vida já terá valido a pena. Agora, uma vez que o espírito humano seja algo universalizante, no sentido de não ter limitação material, é provável que fiquemos ligados as pessoas com as quais nos envolvemos, verdadeiramente, por toda eternidade, e não apenas nessa vida, muito embora os corpos nem sempre permaneçam unidos… É só uma hipótese.

        Abração mestre!

  8. Ignorem o comentárito anterior este é que está valendo.

    Paz a todos,

    O casamento é uma união de espíritos, almas e corpos. União, não no sentido de amalgamar espírito com espírito, alma com alma, da mesma forma que o Espírito de Deus se une com o espírito humano, mas sim, no sentido de ideais, vontades e propósitos, união de corpos todo mundo sabe o que é, ou não sabem?
    O casamento não acontece no cartório, nem na cerimônia onde todas estão chapadas (no sentido de ter passado chapinha no pelo), com seus belos vestidos longos e alugados, muito menos na festa.
    O casamento acontece de fato e de verdade quando existe essa união, tem muito gente indo ao cartório e logo depois indo morar na mesma casa, passam muitos anos morando juntos, mas ainda não se casaram, por esse motivo é que o casamento deixa de se chamar casamento e passa a se chamar INFERNO.

    Em Cristo,

    Thiago N. Fonseca

  9. Milena disse:

    Assim como vocês, acredito que o casamento vai muito além de um pedaço de papel ou mesmo do que é compactuado em uma cerimônia religiosa. O casamento é construído no dia-a-dia, com base no comprometimento de um para com o outro, e um comprometimento de coração, ou seja, independente do que é certo ou errado. Você não se casa por convenções sociais, necessidades físicas ou recomendações religiosas. Você se submete e se compromete ao outro por amor, pura e simplesmente. Mas esse tipo de casamento (ou seja, a união de um casal que se ama e aceita compartilhar sua vida, abrindo mão do resto) está cada vez mais raro e entrando em decadência. E nem sabemos desde quando.
    Muitos insistem que o casamento continua com a mesma força (com base em estatísticas e etc.), mas mesmo que muitas pessoas continuem se casando, as motivações para isso são outras, e isso faz toda a diferença. Como você disse, Duarte, no meio secular as pessoas estão se conscientizando mais. O mundo vê o divórcio como algo natural e o casamento como algo “não-necessário”. Por isso os que se casam, o fazem por amor, pois teriam vários motivos para não se casarem. Claro que isso é uma mera generalização.
    É entre nós que o casamento está falindo. O casamento, assim como as demais instituições sociais, possui o significado e o valor que as pessoas dão a ele (além de uma significação que ultrapassa o indivíduo, mas deixa isso para depois =P). Pessoas dentro das igrejas passaram a banalizar o casamento e a diminuir o valor que ele tem.
    A questão é que para nós, que temos fé em Deus e acreditamos nos valores e princípios que a Bíblia defende, o casamento não é apenas uma instituição social, mas também espiritual. É exatamente por isso que deve ser um ato muito bem pensado, resultado de reflexão e maturidade (emocional e espiritual).
    No nosso meio, as pessoas estão deixando de compreender a importância do casamento e as responsabilidades inerentes a ele. Por isso fico um pouco preocupada quando vejo noivos muito jovens. A maioria dos que conheci não tinha maturidade para assumir esse compromisso, e hoje esses casais sofrem por não saberem lidar com as dificuldades que surgem no decorrer do processo.
    Existem várias questões que permeiam esse tipo de caso. Vários jovens vêem o casamento como uma espécie de fuga, a única maneira encontrada para sair de casa – um pensamento totalmente equivocado, afinal o casamento não foi feito para ser o refúgio de ninguém, muito embora possa cumprir esse papel.
    Outra coisa que me preocupa em relação ao casamento é que muitos se casam antes de viverem fases importantes da vida, e isso acaba fazendo com que alguns levem frustrações pessoais para dentro do casamento e descarreguem a infelicidade no/a companheiro/a. Acredito que existem vitórias individuais; que existem sonhos que devemos conquistar enquanto solteiros. Pessoas frustradas e deprimidas não são boa companhia para ninguém. Quando falo isso, sempre tem alguém que me diz que ainda é possível realizar esses sonhos mesmo depois de casada. Tenho minhas dúvidas; tudo depende do sonho. Tem coisas que são muito minhas (leia-se de cada um), se querem saber. Quero ter minhas experiências pessoais, que obviamente dividirei com meu futuro marido. Vocês hão de concordar que a cada nova experiência adquirimos maturidade, e essa, uma vez adquirida, contribui para o nosso desenvolvimento e daqueles que nos cercam (ou seja, um marido ou esposa também). Os cônjuges devem estimular o crescimento um do outro, e uma pessoa sem uma “boa cabeça” não é capaz de fazer ninguém crescer.
    Por fim, um último comentário: vejo a maioria das igrejas ensinando o que NÃO se deve fazer em um casamento, mas poucas ensinam o que fazer. Poucas falam do respeito que deve ser cultivado, ou do fato de que marido nenhum deve ser coveiro dos sonhos da mulher (e vice-e-versa). Honestamente, quantas mulheres vocês conhecem que são realmente submissas aos maridos e quantos homens amam suas esposas como se fossem sua própria carne (Ef.5)? Estou segura de que menos do que deveriam…

    Por enquanto é isso. Depois faço outro comentário com mais idéias, rsrsrs

    P.S: Para os que gostam de Sociologia, tem um texto muito legal e bastante didático do Peter Berger e da Brigitte Berger sobre instituições sociais. Vale a pena conferir.

    • Duarte Henrique disse:

      Milena,

      Sem comentários sobre o seu comentário. Você poderia expor mais sobre a questão da transcendência dos valores atinentes as instituições socias, pois isso tem muito a ver com o assunto. Outro aspecto importante que você levantou foi a questão da realização “pós matrimônio”. Não falei sobre o assunto, pois o texto ficaria muito extenso e abordei apenas o fator temporal. Mas a questão é interessante: O casamento anula a individualidade de cada um e forma uma única, ou pelo contrário, surge uma terceira via, onde cada um mantém sua individualidade e ao mesmo tempo existe uma zona comum entre ambos?

      Muito bom seu comentário.

      PS: A questão da submissão feminina é outro ponto interessante, mas deixo pra depois…

      • Milena disse:

        Pode deixar que quando me aprofundar mais no assunto eu escrevo um texto inteirinho sobre instituições sociais para o blog, rsrs
        Quanto à questão da realização pessoal, acredito que o casamento não anula (e nem deve!) a individualidade de ninguém. Isso seria altamente prejudicial, pois cada pessoa é um ente dotado de personalidade única, e é exatamente a diferença que existe entre os cônjuges que faz com que ambos se complementem. O único cuidado a ser tomado é o de não confundir individualidade com individualismo – um caminho muito perigoso em qualquer tipo relacionamento.

        • Rômulo de Barros disse:

          Parabéns, Milena, pelo seu comentário. É muito bom conhecer a opinião feminina e você têm coragem de expor aqui.

          Sobre o ponto da individualidade, realização pessoal, até concordo que o casamento não anula, mas a chegada de filhos, se não anula, diminui bastante. Porém, talvez eles representem um sonho maior do que qualquer outro…

  10. Milena disse:

    Rômulo,

    Concordo que a chegada de filhos diminui a individualidade, mas, como você também deu a entender, um filho representa outro nível de realização pessoal. É uma nova vida totalmente dependente de você, uma vida que gira em torno da sua. Essa relação de total dependência não existe entre marido e mulher (ao menos não no sentido físico, como o filho que depende dos pais até para se alimentar).

    Não sei se fui muito clara..

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