Desobediência Civil e Cristianismo – Parte 2

Publicado: 07/02/2011 por Duarte Henrique em Devocionais, Reflexão
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Saudações amigos,

Como dito no último artigo colocado aqui por mim, darei continuidade ao assunto acerca das consequências oriundas da submissão cega de muitos cristãos às “autoridades”. No último post, o assunto foi abordado sobre uma ótica mais política. Agora, contudo, darei mais ênfase a questão da submissão cega no campo eclesiástico. Permitam-me agora um discurso um pouco mais direto, e menos científico. Reflitamos e arrazoemos…

Um dos piores males surgidos na história do cristianismo foi o dogma da submissão absoluta as autoridades, sejam elas civis ou eclesiásticas. É por causa desse discurso, por exemplo, que o Papa continua dominando a maior parte da cristandade como supremo pontífice até hoje. A maioria dos evangélicos ridiculariza, com razão, esse dogma católico, afinal, o Papa é apenas um homem como qualquer outro.

Contudo, a grande ironia é que muitos evangélicos não percebem o quanto essa doutrina está presente também em nosso meio. Duvida? Ora, as tais doutrinas do “Ungido de Deus”, do “Escolhido do Senhor” etc, nada mais são do que variantes “evangelicalizadas” da nefasta doutrina da autoridade papal. No cristianismo não existem castas, mas na prática agimos como se existissem. Na verdade, a cultura evangélica brasileira é cheia dos super líderes e pastores. Não vou nem perder tempo citando nomes, basta pensar nas denominações que mais crescem hoje e logo vocês acharão um “iluminado” a frente dela. Alguém que devemos respeitar como o “escolhido de Deus”. Sempre haverá alguém abaixando a cabeça para tudo o que ele disser, por mais absurdo que seja.

Pois bem, distante dessa alienação teológica de uma submissão cega e obtusa, de argumentos de autoridade etc, o evangelho, partindo do pressuposto de que todos sejamos escolhidos-“ungidos”, nos propõe o diálogo como única saída para os impasses que, necessariamente, hão de surgir ao longo de nosso convívio enquanto comunidade cristã.

Os defensores do status quo logo dirão: “A bíblia diz que devemos obedecer aos nossos pastores”, citando Hebreus 13.17. Pois bem, a questão aqui geraria uma celeuma sem fim, afinal, pastor quem? Aquele que foi instituído por Deus ou o aquele instituído por homens? O que é ser um pastor de verdade? Bom, sequer adentrarei ao mérito dessa questão aqui, demandaria um livro inteiro. Contudo, de modo bastante objetivo, darei apenas duas características básicas de um pastor, segundo o novo testamento: “Eu sou o bom pastor; o bom pastor dá a vida pelas suas ovelhas Jo 10:11 e “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra. Bom, não é necessário ser nenhum grande observador para se concluir que, tomando apenas esses dois critérios, a maioria daqueles que se denominam pastores em nosso dias não passariam, na melhor das hipótese, de indivíduos desarrazoados.

Contudo, ainda que estivéssemos nos referindo aos raríssimos pastores da parte de Deus, e não da parte de homens, ainda assim o cristianismo jamais exigiu sujeição estúpida. Paulo chegou a afirmar aos Gálatas: “Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho, além do que já temos anunciado, seja anátema” Gl 1.8. Percebe-se assim, que existe um limite de até onde a obediência deve ou não ser praticada, de até onde temos de assumir a responsabilidade de sermos seres pensantes e livres, ao invés de ficarmos nos escorando em nossa santa ignorância..

A verdade é que muitos líderes cristãos querem usar sua “autoridade” da maneira mais torpe possível, justificando-a com o “manto da unção”. Pior ainda, quanto mais despótico e destituído de verdadeira autoridade for o sujeito, mais pragas e ameaças dirigirá àqueles que, ao invés da obediência e sujeição mentecaptas, exigirem uma fundamentação, à luz da bíblia e da razão simples, para maneira como as coisas são conduzidas na igreja.

Aí de nós se Lutero fosse dar ouvidos aos conformistas e alienados pela “obediência”, ainda estaríamos chamando o Papa de Vossa Santidade!

Já faz muito tempo que digo o que vou dizer agora, e muitas vezes fui censurado, mas repito: o respeito que devo ao meu pastor e aos meus “líderes” é o mesmo que devo a qualquer pessoa na igreja, ou fora dela!

Muito mais, muito mais mesmo teria para ser dito. Contudo, fico por aqui. Finalizarei a questão num último artigo, abordando a necessidade de aceitarmos o fato de que, fatalmente, somos livres, ainda muitos desejem a escravidão…

Deus continue nos abençoando com sua infinita graça,

Duarte Henrique

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comentários
  1. waldson disse:

    Duarte, Duarte,!! Vc num tem medo de ser cruscificado de cabeca para baixo, nao? kkkkk
    Meu querido , agora sim estamos falando de um desobediencia cega, isso sim, quem abusa de fechar os olhos pra verdade, acaba desobedecendo a Deus!!!
    Pra falar verdade, vejo que existe uma obediencia cega por motivos que agrade o proprio umbigo!!!
    Nunca ouvi tanta baboseira quanto ao “ungido do senhor”, “escolhido do senhor” !
    Me responda duas questoes:
    – Se estes camaradas tem mesmo a uncao de Deus, pq quando eles oram nao acontece nada?
    – Se estes camaradas foram verdadeiros escolhidos de Deus, pq nao fazem NADA para o reino!…
    NA real!… to cansado dessa balela!! Pulbitos de ouro, com bezerros sentados nas suas comodidades!

    Mas que tambem fique bem claro: Ainda Existem homens que nao se corrompem com as mazelas que este mundo oferece a preco de “trinta moedas”!
    E Eu os admiro muito! Estes nao aparecem na midia pq estao escondidos atras das necessidades das ovelhas!

    Um abrco! e vc ta nos enrrolando! vamo ou num vamo gravar?

  2. Rômulo de Barros disse:

    Eu admiro nossos antigos irmãos que faziam tanto pela igreja, pela obra cristã, tendo os pastores como pseudo-papas. Eles foram especiais para pessoas como meus pais, que não nasceram no evangelho e estavam cegos pelos exageros e desmazelos de Roma. Devido às suas infindáveis visitas, o amor a Cristo fluiu e se estabeleceu naqueles corações.

    Infelizmente, são esses saudosos irmãos que sustentam os pontos mais questionados pela nova geração de pensantes. Acho que os anciãos devem a nós o diálogo com as vertentes atuais, e, nós, os novos, devemos a eles os mesmos vigor e amor pela causa cristã, pela propagação do evangelho.

    Voltando ao tema: só o conhecimento libertará a mente das pessoas e as farão questionar o que não é bíblico ou sensato. Livros para sermos livres! Agora, é um parto renovar o entendimento e reconhecer a falibilidade dos líderes e os questionar naquilo que é razoável. Mas prefiro o nascimento do bebê ingrato à sua morte e de sua mamãe.

  3. Fabrício disse:

    Como alguns pastores ao invés de trilhar o caminho da humildade, se auto intitulam ungidos de Deus, sendo que, o próprio Rei Jesus quando passou pela terra disse que veio nos servir e dar sua vida em resgate de muitos.

  4. Ana Cris disse:

    por muito menos se levaria o nome herege…rs, no entanto vou refletir sobre o artigo,
    saudações,

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