Felizes Para Sempre…

Publicado: 01/05/2011 por Duarte Henrique em Devocionais, Reflexão
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Olá meus caros irmãos, sinceras saudações. Espero que todos estejam bem.

Um dos assuntos mais comentados dos últimos dias foi, sem dúvida alguma, o casamento acontecido recentemente no seio da monarquia inglesa. Em meio a todo esse alvoroço ocorreu-me uma hipótese para explicar tamanha repercussão. Compartilho-a agora com vocês. É apenas uma hipótese. Não vou sequer entrar ao mérito do casamento em si. Meu único desejo é que, para além do “conto de fadas”, exista algo verdadeiro naquela união. Que o casamento daqueles jovens não termine do modo fatídico como acorreu com o casamento dos pais do príncipe. Tampouco vou me ater à questão da monarquia inglesa, que para mim é um verdadeiro fiasco, pois saber que em pleno século XXI ainda existem países que gastam quantias exorbitantes sustentando “famílias reais” e “nobrezas” me faz questionar seriamente o conceito de subdesenvolvimento, bem como a suposta hegemonia intelectual da Europa. Será que realmente somos nós, americanos, os subdesenvolvidos?

Pois bem, o que mais me chamou a atenção nos últimos dias foi observar aquilo que eu chamaria de um verdadeiro “escapismo coletivo”. As pessoas tomaram esse evento para si como uma verdadeira válvula de escape. Milhares de mulheres que já nem acreditam em casamento – ao menos da forma como ele realmente é – sonharam em ser a, agora, duquesa Kate. Milhares de homens se impressionaram com a suntuosidade cósmica que existiu em torno de todos os eventos que cercaram o casamento, e se sentiram verdadeiros “sapos” perto de suas esposas, noivas e namoradas. O mundo parou, por um momento, todos faziam parte de um grande conto de fadas, muito embora a grande maioria fosse de plebeus…

Talvez, o excesso de atenção que esse evento despertou seja fruto do desespero que se abate sobre a humanidade em razão do abandono da vida provocado pelo materialismo moderno. As pessoas se apegaram com unhas e dentes a certos valores que, ao menos em tese e de forma bem midiática, existiam nesse episódio: amor, casamento, família, “felizes para sempre” etc. Usaram esse evento para afirmarem a si mesmas que essas coisas ainda existem, muito embora saibam, ainda que com certa nostalgia, que tais elementos estejam desaparecendo rapidamente.

A questão é que o “felizes para sempre” definitivamente não dura para sempre. Não estou querendo desiludir ninguém aqui, mas amigos, definitivamente existe algo além dessa frase leviana. A verdadeira felicidade é algo que exige um suporte muito mais profundo que qualquer conto de fadas. A verdadeira felicidade exige consciência e profundidade. Exige filosofia, racionalidade, uma espiritualidade sincera e viva, além de um profundo relacionamento com Deus. Qualquer conto de fadas parece piada se comparado a vida de alguém que realmente busca viver a vida com intensidade. Mais importante que a estética que a forma nos desperta é o sentimento ético que devemos ter para com nós mesmos e nossa vida. Já disse alguém: “Uma vida não questionada não merece ser vivida”. A mais pura verdade.

Não estou dizendo aqui que devemos ser “realistas”, ao menos sob o ponto de vista do que é o realismo filosoficamente falando (em oposição ao idealismo). Só estou dizendo que para um sujeito sério e responsável, não existe nada mais intrigante, relevante e digno de importância e reflexão que sua própria existência. Todo glamour e esplendor restante no cosmo não passam de acessório.

Que Kate e William sejam felizes. Mas que fique claro: são um casal como qualquer outro. Estou certo de que o valor das coisas jamais será auferido por fatores externos, pois tais valores somos nós que atribuímos. Uma existência digna e realmente valiosa é aquela que encontra paz e satisfação em si mesma, a despeito da vaidosa atração que a matéria exerce sobre nós. Muitos dos maiores romances, dos maiores heróis e dos mais dignos relacionamentos amorosos jamais ganharam as telas ou os jornais, pois são frutos da existência de pessoas que geralmente estão acima da coletivização dos sentimentos, da banalização da intimidade e do desrespeito a introspecção. Essas pessoas realizam-se em si mesmas, pois até Deus encontram primeiramente dentro de si, como sugeriu Agostinho. É Algo difícil de entender, pois o homem, mormente em dias como os nossos, sempre teve o impulso de projetar o seu “ser” para as coisas, e não para si mesmo.

Abraços, e que Deus em Cristo ilumine sempre os nossos corações!

comentários
  1. Josué Flausino disse:

    first. *_*

    “gastam quantias exorbitantes sustentando “famílias reais” e “nobrezas”

    Aqui Você gasta o mesmo sustentando seus governantes.

    Abraço

  2. Clara disse:

    Até aí estamos de acordo, mas bem ou mal os governantes vão “trabalhando” alguma coisa, as famílias reais, exceptuando, talvez, a espanhola, a única coisa que faz é gastar o dinheiro do erário público em viagens, ditas de representação e beneficência.
    E sem termo de mandato.
    A família real inglesa pauta precisamente por isso, penso eu.
    Cumprimentos

  3. Álvaro Duarte disse:

    muito bom…

    desta vez vc acertou! ahuahuahauhauhauhauhauah

  4. Fabricio disse:

    É meu caro Duarte mais não generalizemos. Nem todos sonharam com esse casamento para si. Aqui no Brasil a maioria devia tá pensando assim: “Olha mais um coitado que se enforcou”. hehe falo pelo que tenho ouvido por aí. Homens e mulheres com pavor de casamento. Nisso a sociedade sofre. Antigamente com 20 anos o camarada já tava casado, trabalhando e construindo uma família, hoje o cara tá com 30 e ainda vive com os pais gastando seu dinheiro em porcaria e fazendo bobagens. Ninguém quer casar com a facilidade de morar com os pais e mesmo assim tento a liberdade que querem.. A sociedade perde com tudo isso não perde?

  5. Duarte Henrique disse:

    Josué,

    Mas o pior é que lá eles também tem que “sustentar” o parlamento! Ademias, pensa se faz algum sentido ainda acreditar que algum ser humano seja superior ao outro por causa do nascimento? Pois é, em última análise, esse é um dos fundamentos da monarquia e da nobreza.
    Quando ao que o Fabrício disse, concordo com ele. De fato, sugeri uma hipótese que se aplica ao encanto geral, mas sem dúvida existem aquels mais realistas, que viram nesse evento exatamente o que ele falou. Aliás, numa das tantas entrevistas que vi, um senhor disse mais ou menos isso: “Não acredito mais em casamento, veja só como acabou o dos pais deles?”. Uma outra senhora disse que também não tinha mais esperanças no casamento, pois o príncipe dela havia se transformado num sapo já fazia tempo.
    Preocupante.

  6. Josué Flausino disse:

    “Casamento Real mexe com o mercado de cerimônias em Brasília”

    “Empresários do setor estimam que, em média, 30 casais sobem ao altar todos os fins de semana na capital do país. E o número só não é maior, sustentam, porque faltam opções de lugares para realizar a festa. “Estamos vendo uma geração que já não encara o casamento como algo ultrapassado. São pessoas que estão gostando de voltar a celebrar o amor, de maneira moderna e personalizada”, comenta a fotógrafa Tainá Frota, que tem 40 cerimônias marcadas para este ano.

    http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2011/05/05/interna_cidadesdf,250910/casamento-real-mexe-com-o-mercado-de-cerimonias-em-brasilia.shtml

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