Ética Cristã – UFC

Publicado: 30/08/2011 por Duarte Henrique em Devocionais, Reflexão
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Saudações guerreiros, como vão na luta contra a carne e o sangue?…

Recentemente os fãs de MMA (Mixed Martial Arts) brasileiros foram agraciados com a vinda do UFC (Ultimate Fighting Championship) ao nosso país. Essa é, sem dúvida alguma, a maior organização desse esporte atualmente existente no mundo.

Mas não quero falar do evento. Por sugestão do Dário, resolvemos abrir uma discussão sobre esse tema. Mais especificamente sobre sua relação com a ética cristã. Particularmente, já venho acompanhado esse esporte já faz alguns anos, desde 2005. Sempre gostei de artes marciais, inclusive pratico uma atualmente. Sempre vi as artes marciais como mais uma das formas de disciplinarmos nosso corpo. Contudo, devido à febre e ao modismo que o MMA está se tornando (alguns falam UFC, mas como visto essa é uma organização, e não a modalidade esportiva) alguns questionamentos éticos vem sendo levantados. Um primeiro problema, em minha opinião, é o MMA estar virando moda, pois tudo que se transforma em moda se degenera… Alguns dizem até que irá superar o futebol em popularidade aqui no Brasil. Acho difícil.

Bom, o principal argumento daqueles que não assistem as lutas é o da violência exacerbada, gratuita mesmo. Dizem, mais refinadamente, que aqueles que gostam desse tipo de evento seriam pessoas sádicas. Outros, mais de chacota, falam acerca da “pegação” que às vezes acontece no octógono entre os lutadores, dizendo ser esse um esporte de gays. Eu não queria estar com um “gay” daqueles no octógono, a pancada deve ser dolorida… Alguns ainda alegam que esse esporte seria coisa do Diabo. Outros tantos sequer consideram isso um esporte, sendo apenas pura violência.

Vejamos. Quanto à violência, tudo o que posso dizer é que ela é inerente não só ao MMA, mas a existência humana como um todo. A diferença é que eventos como o UFC canalizam essa violência de forma coletiva e organizada. Não estou dizendo que ver um cara desmaiando com um soco no queixo, com o rosto todo ensangüentado ou sendo finalizado não seja algo agressivo. Mas o pão e circo em Roma, assim como o UFC e tantas outras organizações são apenas válvulas de escape para nosso instinto de violência ou Tânatos, como diria Freud. Aliás, segundo Freud, esse instinto de morte, agindo numa relação dialética com o instinto de vida (libido), seria responsável por nosso “mal estar na civilização”.

Utilizemos o exemplo da F1. Ela é uma válvula de escape para nosso instinto de violência. Como? Ora, o piloto que acelera um carro daqueles, vertiginosamente, está colocando sua vida voluntariamente em risco, e isso é uma espécie de violência. O que dizer então da platéia? Todos que vão a um autódromo esperam ver algum acidente, algum carro capotando ou coisa do tipo. Estou mentindo? Ora, o que é isso se não violência sendo canalizada? O que dizer então das torcidas nos estádios de futebol, que vivem se matando? E o que falar de você, simples torcedor, que utiliza a vitória do seu time para “zuar” os outros torcedores? Isso também é um ato de violência. É desnecessário mencionar aqui os casos de maridos que batem na mulher, as gangues e os casos de crueldade contra os animais. É claro que não podemos nos esquecer dos motoristas que usam a buzina para descarregar toda sua frustração e mau humor na famosa “super buzinada”. Ah sim, não deixemos de lado os impropérios, mais uma forma de violência canalizada.

É claro que eu não poderia deixar de registrar aqui um paradoxo. Ainda segundo o psicanalista Austríaco, o ato que melhor concretizaria o instinto de vida (libido) seria o ato sexual. O instinto de morte (violência) visaria à desagregação dos homens, ao passo que a libido visaria sua união e perpetuação. Em tese seriam sentimentos opostos. Contudo, mesmo no ato sexual é fácil visualizar alguma violência. Muitas mulheres, por exemplo, gostam de “apanhar” durante o ato sexual. “Um tapinha não dói”, lembra da famigerada letra? Alguns homens gostam de bater nas mulheres, ou puxá-las pelo cabelo. Existem casais que gostam de se xingar ou então falarem palavrões durante o ato sexual. Aliás, se formos fazer uma análise mais anatômica, perceberemos que o próprio ato sexual é violento em si mesmo. Existem ainda outras práticas que comprovariam a violência na sexualidade humana. Contudo, para não chocar os mais conservadores ofendendo-lhes o pudor, deixo-as de lado.

O fato é que eventos com o UFC são apenas válvulas de escape coletiva, com um mínimo de controle e organização. Se você perguntar para algum lutador daqueles se ele sente vontade de brigar na rua, dificilmente a resposta será positiva. Eles extravasam no ringue. Diferente do que acontece em muitas boates, bares e festas de nossa cidade, onde a briga, além de ter um péssimo nível técnico, ainda acaba em morte de vez em quando.

Como cristão, não vejo nenhuma objeção ao UFC ou a qualquer outro esporte. “Jesus assistiria o UFC?”, pode alguém perguntar. Ao que eu responderia: “Amigo, Jesus sequer assistiria televisão em nossos dias, mormente em face da péssima qualidade de nossa programação. Está disposto a fazer o mesmo?”.  Analise tudo, retenha o que for bom…

Quanto ao UFC ser coisa do diabo, sinceramente, não há argumentos contra tal infantilidade, a não ser o de que ficar “demonizando” as coisas também seja uma válvula de escape para a violência humana… Que o diga aqueles “crentes espirituais”, que gostam de ficar proibindo tudo e ditando regras de comportamento rígidas para todos. O problema aqui só pode ser de duas naturezas: ou canalização da violência, ou, em bom português, falta de sexo.

Abraços meus amigos!

comentários
  1. \o/ !
    Essa febre de UFC vai passar…

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