O Dia da Reforma…

Publicado: 31/10/2011 por Duarte Henrique em Devocionais, Reflexão
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Saudações meus caros amigos.

Já faz algum tempo que não escrevo por aqui. Estava de férias…

Contudo, a data de hoje é relevante demais para ser ignorada. Hoje, 31 de outubro, comemoramos o dia da Reforma Protestante. Esse que é, sem dúvida nenhuma, um dos maiores movimentos já levados a cabo na história da humanidade. Furto-me aqui ao dever de descrever pormenorizadamente os acontecimentos desse período. Quem desejar conhecê-lo minuciosamente encontrará vasta literatura sobre o assunto, além de um sem número de biografias sobre Lutero.

A única coisa que gostaria de destacar nesse momento é o fato de que, a despeito da grandiosidade do evento e de seus desencadeamentos, tudo tenha começado a partir de um único homem. Não quero romantizar a atitude de Lutero. Qualquer um que ler uma biografia sua, fidedigna, verá nele defeitos. Isso é mais que normal, pois quem é que não os têm? Pouca gente sabe, por exemplo, que Lutero morreu acreditando na virgindade perpétua de Maria, e que ele defendia a consubstanciação (doutrina referente à ministração da ceia), doutrinas que, em tese, são rejeitadas pela maioria dos protestantes e evangélicos modernos.

Mas o que mais me impressiona em Lutero é a capacidade que o espírito humano tem de libertar-se. É claro que essa libertação é algo para poucos, pois a maioria de nós não consegue se libertar das tradições sociais, psicológicas ou mesmo espirituais às quais estamos presos. Infelizmente, nossa tendência à aceitação e acomodação é muito grande.

Lutero, contudo, decidiu por ele, por sua própria vida. Aqui entra, muitas vezes, o romantismo na história do reformador alemão. Muitas pessoas veem Lutero como um grande líder que tomou a causa religiosa dos oprimidos de sua época, e se lançou contra o “sistema” em sua defesa. Ora, na verdade ele nunca agiu por ninguém, senão por si mesmo.

Isso não significa que tenha sido egoísta. Não é isso. Significa apenas que ele agiu com base naquilo que acreditava ser a verdade. Revolucionando sua vida, acabou por revolucionar a daqueles que o cercavam. Um espírito livre sempre incentivará a libertação de outros, é o destino.

Ao olhar para a Reforma, séculos mais tarde, percebo que esse evento simbolizou bem o movimento dialético da espiritualidade humana, que deve ser repetido continuamente, pois é em sua síntese que a verdadeira espiritualidade vai se realizando através dos tempos. Todos nós devemos, necessariamente, “reformar” nossa existência continuamente, em todas as esferas que a expansão de nosso ser julgar necessária. Com Lutero aprendemos que não existem limites para tal transformação. Se simplesmente nos acostumarmos com as coisas como elas são, seremos apenas perpetuadores de dogmas e tradições que talvez já não façam tanto sentido como quando foram instituídos. Pior: não façam sentido algum para nós mesmos. A própria Reforma acabou se dogmatizando com o passar do tempo, o que acabou gerando severas críticas de movimentos como o pietismo ou as sagazes críticas de Kierkegaard.

Temos duas opções em relação à nossas vida: ou aceitamos a que nos deram, ou criamos a nossa. O revolucionário de ontem será, certamente, o conservador de amanhã. A vida passa, e tudo que ficará é o que tivermos sido efetivamente. Nossa vida é nossa vida. É uam afirmação tautológica, mas poucos entendem isso. Lutero entendeu.

Que Deus nos guarde, proteja e realmente liberte. Hoje e sempre.

Abraços cordiais.

Duarte Henrique

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