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A Igreja e o Teatro…

Publicado: 16/05/2011 por Duarte Henrique em Devocionais, Reflexão
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Saudações amigos, que a graça de Deus seja sempre conosco.

Sempre aconselhei os indivíduos a buscarem a verdade por si mesmos, conquanto não raro tenha sugerido meios para alcançá-la. Já não estou muito certo se devo continuar a fazê-lo, pois me encontro num estágio de completa suspensão do juízo. A suspensão do juízo é um processo mental por meio do qual, por um período de tempo indefinido, suspendemos todos os nossos juízos de valor, crenças e conceitos, os reavaliando. Feito isso, nada mais é certo ou errado, belo ou feio, bom ou mal. Tudo pode ser e não ser. É mais ou menos o que Descartes descreve no Discurso do Método, quando dúvida de tudo e de todos (mesmo do próprio corpo), até que chega ao ponto de saber que de uma única coisa ele não poderia duvidar, a saber, do seu pensamento. Daí sua famosa máxima: cogito ergo sum (Penso, logo existo). Não recomendo esse processo a ninguém, a não ser que realmente se sinta uma profunda necessidade dele. As consequências desse ceticismo, quando realmente levado a cabo de modo racional, são imprevisíveis e podem tanto reafirmar algumas convicções, como, ao revés, produzir uma mudança cataclísmica na existência do indivíduo. Pode ser algo perigoso.

Sei que esse texto poderá ser tomado como fruto de um deísmo inconsequente. Mas ainda assim prefiro um deísmo inconsequente a um teísmo doente. O deísmo ao menos é sincero…

Soren Kierkegaard é um pensador impressionante. Sua filosofia é profundíssima. É considerado por muitos como o precursor mor do existencialismo. Tem origem luterana, mas isso não impediu que fosse um profundo crítico da igreja. Seu pensamento é muito vasto. Contudo, gostaria de me utilizar aqui de apenas uma de suas várias reflexões: A igreja não passa de um grande teatro, sendo que a diferença efetiva entre o teatro e a igreja resida no fato de que no teatro os atores ao menos assumem que estão atuando, ao passo que na igreja essa atuação é negada e dissimulada pela “piedade”. (mais…)

Saudações meus caros coetâneos,

Mais uma vez a graça de Deus nos permite estar aqui. Utilizo nesse post o mesmo título dos anteriores , muito embora o assunto tratado agora se distancie um pouco da epígrafe. Do alto de minha minúscula cátedra filosófico-teológica lhes escrevo esse texto, quiçá presunçoso, mas certamente bem intencionado, fruto de um diletantismo que, se não é lá dos mais nobres, cuido também não ser dos mais vis.

Em síntese, nas duas postagens anteriores o que se discutiu foi a liberdade de expressão, seja na esfera civil, seja na esfera religiosa. Agora, gostaria de finalizar o assunto falando um pouco sobre a liberdade de expressão mais profunda que coube a nós, seres humanos: a liberdade de expressão do ser.

Não é novidade para ninguém o fato de vivermos num mundo cheio de regras, conceitos e valores, os mais diversos possíveis. A todo instante, desde o nascimento, somos pressionados pela mídia, pela religião, pela família, pelo governo, por normas éticas e estéticas a fazer opções e, ao mesmo tempo, construir nosso caráter, personalidade e conduta tendo que nos nortear em meio a esse pandemônio de idéias.

Contudo, não obstante a grande tentação de nos apegarmos a um determinismo radical, em que ninguém é culpado de nada, posto sermos todos “frutos do meio”, surge o apóstolo Paulo e nos diz que, em última análise, nossa consciência deve ser a grande juíza de toda nossa existência (I Co 11.28), afinal, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus (Rm 14.12). Eis aí a liberdade, liberdade cristã, desafiadora… (mais…)