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Saudações meus caros amigos.

Já faz algum tempo que não escrevo por aqui. Estava de férias…

Contudo, a data de hoje é relevante demais para ser ignorada. Hoje, 31 de outubro, comemoramos o dia da Reforma Protestante. Esse que é, sem dúvida nenhuma, um dos maiores movimentos já levados a cabo na história da humanidade. Furto-me aqui ao dever de descrever pormenorizadamente os acontecimentos desse período. Quem desejar conhecê-lo minuciosamente encontrará vasta literatura sobre o assunto, além de um sem número de biografias sobre Lutero.

A única coisa que gostaria de destacar nesse momento é o fato de que, a despeito da grandiosidade do evento e de seus desencadeamentos, tudo tenha começado a partir de um único homem. Não quero romantizar a atitude de Lutero. Qualquer um que ler uma biografia sua, fidedigna, verá nele defeitos. Isso é mais que normal, pois quem é que não os têm? Pouca gente sabe, por exemplo, que Lutero morreu acreditando na virgindade perpétua de Maria, e que ele defendia a consubstanciação (doutrina referente à ministração da ceia), doutrinas que, em tese, são rejeitadas pela maioria dos protestantes e evangélicos modernos.

Mas o que mais me impressiona em Lutero é a capacidade que o espírito humano tem de libertar-se. É claro que essa libertação é algo para poucos, pois a maioria de nós não consegue se libertar das tradições sociais, psicológicas ou mesmo espirituais às quais estamos presos. Infelizmente, nossa tendência à aceitação e acomodação é muito grande.

Lutero, contudo, decidiu por ele, por sua própria vida. Aqui entra, muitas vezes, o romantismo na história do reformador alemão. Muitas pessoas veem Lutero como um grande líder que tomou a causa religiosa dos oprimidos de sua época, e se lançou contra o “sistema” em sua defesa. Ora, na verdade ele nunca agiu por ninguém, senão por si mesmo.

Isso não significa que tenha sido egoísta. Não é isso. Significa apenas que ele agiu com base naquilo que acreditava ser a verdade. Revolucionando sua vida, acabou por revolucionar a daqueles que o cercavam. Um espírito livre sempre incentivará a libertação de outros, é o destino.

Ao olhar para a Reforma, séculos mais tarde, percebo que esse evento simbolizou bem o movimento dialético da espiritualidade humana, que deve ser repetido continuamente, pois é em sua síntese que a verdadeira espiritualidade vai se realizando através dos tempos. Todos nós devemos, necessariamente, “reformar” nossa existência continuamente, em todas as esferas que a expansão de nosso ser julgar necessária. Com Lutero aprendemos que não existem limites para tal transformação. (mais…)

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