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Sobre a Santidade

Publicado: 23/01/2012 por Duarte Henrique em Devocionais, Reflexão
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Ontem, enquanto discutia um assunto com alguns jovens de minha igreja, iniciamos uma discussão interessante. O assunto era nada mais, nada menos, que santidade. Não pretendo encerrar um assunto tão complexo como esse postando algo num blog da internet. Gostaria apenas de fixar dois pontos de vista sobre a questão, sem discuti-los a fundo. Daí, cada um analise e decida o que é mais coerente.

Sobre a questão da “santidade” no contexto cristão, historicamente têm existido dois pontos de vista básicos. Poderíamos dividir essas perspectivas sobre o que seja a santidade de acordo com a ótica luterana e de acordo com a ótica católico-evangélica. Não que essas duas correntes do cristianismo tenham criado modelos de santidade. Contudo, ao longo da história da igreja, o conceito tem variado ou para um lado ou para outro, de acordo com essas duas visões. Vamos a elas.

Segundo a visão católico-evangélica, a santidade é um conceito que se divide em duas partes. Existe a santidade por posição, isto é, aquela que Deus, por meio de Cristo, garante a todos os que abraçarem a fé. É incondicional. Por outro lado, a santidade também é um processo que deve ser levado a cabo pelo cristão diariamente, por meio da separação e afastamento progressivos do “mundo” e do “pecado”. A teologia evangélica e a católica dão mais ênfase ao segundo aspecto, muito embora aceitem o primeiro, ainda que contraditoriamente.

Ao revés, a teologia luterana rejeita totalmente o conceito de santidade como processo ou comportamento do cristão. Aqui, a santidade é concebida como um processo exclusivamente levado a cabo por Deus que, sendo nós pecadores, somos, simultaneamente, considerados santos. “Santos e pecadores ao mesmo tempo”, é uma das máximas luteranas. (mais…)

Outro dia conversava com alguém no meu serviço acerca de um aspecto da concupiscência humana. Assim como eu, essa pessoa é cristã. O que ela defendia, resumidamente, é que o cristão após sua conversão vai deixando de pecar cada vez mais, até que em certo ponto ele não mais pecará, ou então isso se tornará algo extremamente acidental em sua vida. Me lembrou muito a doutrina da “perfeição cristã”, defendida por John Wesley, conforme já li.

Espero que não me tomem por libertino. O Senhor guarde meu espírito.

Disse a ela acreditar que as coisas não funcionavam assim. Por dois motivos básicos. Primeiro, se fosse possível atingir esse estágio espiritual, Cristo sequer precisaria ter morrido por mim, pois eu mesmo poderia ser salvo por meio de minhas obras, não precisaria de sua graça.

O segundo motivo que me leva a crer que a vida cristã não funciona assim é o fato de que quando olho para dentro de mim sempre encontro aquele velho dilema paulino: “O bem que quero não faço, mas o mau que não quero, esse faço”. “Você está generalizando sua experiência particular!”, pode alguém dizer. Então olhe para si mesmo e ao final diga se não é assim…

Penso que a premissa da qual minha colega de trabalho estava partindo é equivocada, muito embora seja comum entre muitos cristãos, qual seja, a de que quando somos alcançados pela graça divina deixamos de ser pecadores. Na verdade, mesmo após a conversão continuaremos a ser sempre, como dizia Lutero, “santos e pecadores”. (mais…)