O Dragão de Komodo

Publicado: 12/11/2011 por Duarte Henrique em Devocionais, Reflexão
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Saudações amigos.

Um tempo atrás me ocorreu um pensamento interessante. Já penso até em escrever um romance com o título desse post.

Acredito que a maioria de nós vá concordar com o fato de que a conquista do coração de alguém seja uma das mais importantes tarefas levadas à cabo em nossa existência. Aliás, podemos mesmo questionar até que ponto podemos falar em existência sem que alguém a compartilhe conosco.

Pesando sobre isso, cheguei à conclusão de que poderíamos classificar o poder de sedução dos homens, e de algumas mulheres excepcionalmente, de acordo com uma metáfora do mundo animal. Desse modo, os homens poderiam ser classificados, em relação à letalidade de seu poder existencial de conquista, em Formigas, Escorpiões, Najas e Dragões de Komodo.

Os Formigas são aqueles homens cuja letalidade do ataque é quase irrisória. A mordida de uma formiga, no muito, irrita mais do machuca. Um tapa e pronto, lá está o inseto morto. Os homens formiga geralmente são superficiais, e suas investidas ordinárias e triviais. São a maioria.

Os Escorpiões, por sua vez, são mais incisivos. Suas investidas são mais técnicas, e a picada, se não é letal, ao menos provoca uma dor mais intensa, mais difícil de ser esquecida. Contudo, não é mortal. Pode ser superada. As investidas aqui são mais incomuns, menos clichês, muito embora ainda sigam certa padronização. Nesse contexto, não raro, fatores tais como condição econômica ou status sociais são usados como arma de ataque. Representam um percentual menor na população masculina, e mais ainda na feminina.

Os Najas são um tipo muito raro. Combinam estética e conteúdo de forma absolutamente letal. A morte é quase instantânea. São homens que, além de sua beleza, possuem conteúdo. É impossível resistir ao ataque. O veneno realmente mata em poucos segundos. O agente consegue criar uma ambiente e áurea mortais. A vítima mal percebe que o bote está sendo preparado. Esse tipo de sujeito tem seu estilo próprio, único. Seu modelo de ação é seu apanágio, algo exclusivo. Aqui não existe padronização, senão a dos efeitos, sempre letais em todos os casos. Nunca conheci uma representante feminina dessa categoria, pois as mulheres ou são muito bonitas, ou muito inteligentes, nunca as duas coisas.

Por fim, existem os Dragões de Komodo, os mais raros e interessantes, penso eu. Aqui, como no caso dos Najas, o ataque também é mortal. A diferença é que a vítima acredita sair ilesa, pensa que conseguirá resistir. Ledo engano. Algumas pouquíssimas mulheres são assim.

A forma de atuação do Dragão de Komodo (o réptil) é muito interessante. É um lagarto típico da Indonésia. Sua saliva é cheia de bactérias mortais. É bem verdade que muitas vezes ele faz um ataque tradicional, como os demais predadores. Todavia, quando quer abater uma presa grande, sua estratégia é assaz peculiar. Ele a morde  numa pequena região de seu corpo. Sequer se dá ao trabalho de ir atrás dela. A vítima então foge, achando que foi um ataque falho. Contudo, com o passar do tempo, a mordida começa a infeccionar e a intoxicá-la. Alguns dias depois, sem muito trabalho, o Dragão então devora a vítima, já sem forças e sem a menor capacidade de resistência.

A diferença entre os Dragões de Komodo (homens) e os demais tipos de cortejadores é que os Dragões têm o prazer de ver a vítima definhando, se entregando aos poucos, tendo todas as suas resistências vencidas. É um belo espetáculo ver uma mulher perdendo toda sua resistência, se revelando na plenitude de sua feminilidade, desprendendo-se de todos os padrões e categorias não verdadeiros de sua natureza. O Dragão possui a vítima em toda sua essência. O processo com os Najas é rápido demais, não é muito estético.

Toda mulher será vítima de alguns desses animais ao longo de sua existência. Cabe a ela decidir a qual deles irá se entregar. Ademais, ela sabe bem por qual deles foi atacada. As que se entregam aos Formigas e aos Escorpiões tem o ônus de ter de suportar uma vida não muito empolgante. Muitos relacionamentos nesse modelo acabam logo, pois a vítima acorda, ou percebe que a picada não foi tão grave assim, a ponto de submetê-la por mais tempo.

Já as que são picadas ou mordidas pelos Najas e Dragões de Komodo não têm escolha alguma. Já estão fatalmente feridas. Podem até não se entregar, mas a necrose em seu espírito será inevitável.

Deve ficar claro que nenhum homem – ou as raras mulheres que se enquadram nessa taxionomia – pode ser considerado bom ou mau simplesmente por ser um Naja ou um Dragão. O que estamos discutindo aqui é uma questão de método. O que eles fazem com a vítima após o abate é uma questão muito pessoal. O veneno aqui simboliza simplesmente a técnica, nada mais. Alguns homens são simplesmente “players”, isto é, seu grande prazer é apenas abater a vítima e abandoná-la em seguida. Outros, por sua vez, preferem instruí-la, revolucionar suas existências, agregar conteúdo a elas, agragá-las a sua própia existência, ao seu ser…

Quando o assunto é amor, o veneno é sempre a melhor opção, pois é mais profundo que a dor provocada pela mordia da Formiga ou a picada do Escorpião. Amar, todavia, será sempre um ato de coragem, eterna coragem.

Que Deus amplie sempre nossos horizontes existenciais.

Duarte Henrique  

comentários
  1. Roberto CaNtaNhede disse:

    Que bicho te picou hein meu caro? Essas parábolas biológicas são cheias de encanto mas também tem seus efeitos colaterais. Predadores não ficam escolhendo a vítima mais capaz, geralmente atacam o último do bando, para que os mais fortes sobrevivam. Formigas atacando em grupo geralmente se beneficiam por mais tempo do alimento e ainda nutrem toda uma cadeia de animais que se aproveitam das sobras. Tenho quase certeza de que a via racional se deixa enfraquecer em algum momento e logo depois se vê tentando colocar ordem na casa. Se a “vítima” se enquadrar, ótimo. Isso daria um bom Teologia 2.0 com tons de ecologia rsrs

  2. Grande Doutor Roberto,

    Reconheço que toda metáfora tem seus perigos, pois nunca englobamos a totalidade de hipóteses possíveis. Mas acredito que quanto mais forte for o predador, maior e menos vulnerável poderá ser a vítima escolhida. Talvez o grupo de formigas atacando em bando consiga dominar a vítima, mas em nossa metáfora a situação se complicaria, pois, a menos que as formigas representem um bando de mulheres atacando um único homem, o que poderia ser viável, pois nesse caso conquistariam seu coração e ele ficaria com todas elas, homens geralmente disputam, mas jamais se unem para conquistar uma mulher. É a lei da selva.
    Estou ciente de que o amor tem muito de razão, mas não deixa ter seu lado obscuro, no sentimento que não pode ser racionalmente explicado, não porque seja irracional, mas simplesmente porque transcende a própria razão. De fato, bom tema para um teologia 2.0

    Abração!

  3. Thiago Marreta disse:

    Duarte,

    Esta foi incrível, embora conheço todos os animais citados e seus respectivos métodos de agir, fiquei impressionado com a analogia.

    Att,

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